Indefinição entre Bolsonaro e Tarcísio trava alianças e embaralha corrida ao Senado em 2026
- Adilson Silva

- 17 de out.
- 4 min de leitura
17 de outubro de 2025 | 06:43Brasil
A direita brasileira vive um momento de expectativa e incerteza. Com a proximidade das eleições de 2026, os partidos que orbitam o bolsonarismo aguardam a definição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre quem representará seu campo político na disputa presidencial. Essa decisão será determinante para a formação das chapas estaduais, especialmente nas candidaturas ao Senado, vistas como peça-chave na estratégia nacional da direita.

Senado no centro do tabuleiro político
Bolsonaro considera o Senado uma prioridade absoluta para o projeto de retomada de poder. A Casa tem atribuições importantes — como aprovar ou rejeitar indicações e processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — e o ex-presidente já afirmou desejar uma base majoritária capaz de “ter mais poder que o próprio presidente da República”.
Atualmente, o bolsonarismo conta com nomes competitivos para o Senado em ao menos 13 estados, concentrados principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A meta é repetir ou ampliar o desempenho obtido em 2022, quando os aliados do PL conquistaram 56% das cadeiras em disputa.
Mesmo assim, o desafio é enorme: para alcançar maioria absoluta das 81 vagas, seria necessário um desempenho eleitoral histórico — algo que dependerá da unidade entre PL, Republicanos, PP e outras siglas alinhadas à direita.
Tarcísio e a dúvida que paralisa os aliados
Um dos principais focos de indefinição está em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora seja cotado como um possível sucessor de Bolsonaro na corrida ao Planalto, o governador tem sinalizado nos bastidores que pode buscar a reeleição.
Sua postura ambígua trava o avanço de alianças regionais e impacta diretamente partidos como o PSD, que participa tanto do governo Lula quanto da gestão de Tarcísio. O ex-presidente do PSD, Gilberto Kassab, inclusive já admitiu que o partido pode apoiar o governador paulista em uma eventual candidatura presidencial.
Rio, São Paulo e Minas: as peças mais valiosas do jogo
Nos principais colégios eleitorais — Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — a definição das chapas depende diretamente das movimentações no cenário presidencial.
Rio de Janeiro: Caso Tarcísio se lance à Presidência, o prefeito Eduardo Paes (PSD), provável candidato ao governo estadual, pode adotar uma postura neutra, beneficiando o PL. O partido avalia nomes como Flávio Bolsonaro, o governador Cláudio Castro, o senador Carlos Portinho e o deputado Sóstenes Cavalcante para a disputa ao Senado.
São Paulo: O maior colégio eleitoral do país segue como o principal foco de atenção. Um dos cenários em discussão prevê Tarcísio concorrendo à reeleição, com o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disputando as vagas ao Senado. A ausência prolongada de Eduardo nos Estados Unidos e eventuais investigações podem, no entanto, inviabilizar seu nome.Outras alternativas incluem a candidatura do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ao governo ou a ascensão do vice Felício Ramuth (PSD). O vice-prefeito Mello Araújo (PL) também surge como opção ao Senado caso Eduardo permaneça fora do país.
Minas Gerais: No estado do governador Romeu Zema (Novo), as negociações também estão em curso. Os Republicanos pretendem lançar o senador Cleitinho ao governo, enquanto Zema articula a candidatura de seu vice, Matheus Simões, possivelmente pelo PSD, partido do senador Rodrigo Pacheco, aliado de Lula.
Disputa intensa no Sul e no Centro-Oeste
No Paraná, o governador Ratinho Jr. (PSD) mantém a intenção de disputar a Presidência, mas pode migrar para o Senado caso Tarcísio entre na corrida nacional. O bolsonarismo local aposta ainda em Filipe Barros (PL-PR) e Cristina Graeml (Podemos).
Em Santa Catarina, o PL pode lançar dois nomes, com Carlos Bolsonaro sendo um deles. A deputada Carol de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC) disputam o apoio de Bolsonaro, que já indicou simpatia por ambos. O governador Jorginho Mello (PL) busca manter a unidade do campo conservador, mas corre o risco de perder aliados do PP, que podem se unir ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD).
DF e Rondônia: bastidores agitados e nomes de peso
No Distrito Federal, a disputa promete ser uma das mais simbólicas do país. O PL aposta em Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, que pode concorrer ao Senado ou integrar uma chapa presidencial. O governador Ibaneis Rocha (MDB) tenta consolidar uma aliança com o PL e o PP, propondo que sua vice, Celina Leão, amiga de Michelle, seja sua sucessora.Enquanto isso, a deputada Bia Kicis (PL-DF) também se movimenta para disputar o posto.
Em Rondônia, o partido deve repetir a estratégia de lançar dois candidatos: o senador Marcos Rogério, que tentará a reeleição, e o empresário Bruno Scheid, aliado próximo da família Bolsonaro.
Mapa dos nomes cotados pelo bolsonarismo ao Senado
NORTE
Acre: Márcio Bittar (PL)
Rondônia: Fernando Máximo (União Brasil)
Pará: Éder Mauro (PL)
NORDESTE
Rio Grande do Norte: Styvenson Valentin (Podemos)
CENTRO-OESTE
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL)
Goiás: Gustavo Gayer (PL)
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL)
Tocantins: Eduardo Gomes (PL)
SUDESTE
Minas Gerais: Carlos Viana (Podemos)
São Paulo: Guilherme Derrite (PP)
Rio de Janeiro: Flávio Bolsonaro (PL)
SUL
Paraná: Cristina Graeml (Podemos)
Santa Catarina: Carlos Bolsonaro (PL)
Um jogo político em aberto
A disputa pelo Senado se transformou em um dos pontos mais estratégicos da eleição de 2026. As decisões de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas devem redesenhar alianças, provocar rearranjos partidários e definir o futuro do campo conservador.
Enquanto isso, o bolsonarismo busca consolidar candidaturas competitivas em todo o país — numa corrida que promete ser tão intensa quanto a disputa presidencial.







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