BRB mantém participação em oito fundos associados ao Banco Master, com ativos que incluem bares e imóveis ligados a empresários
- Adilson Silva

- há 2 horas
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O Banco de Brasília (BRB) possui participação em oito fundos de investimento relacionados ao esquema de fraudes investigado no Banco Master. Esses fundos reúnem um conjunto de ativos avaliados em cerca de R$ 8 bilhões, conforme dados de balanços financeiros e apuração jornalística baseada em documentos do mercado.

Entre esses fundos, dois concentram investimentos em negócios vinculados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Os ativos incluem participações em bares e restaurantes, um empreendimento imobiliário ligado a familiares do ex-banqueiro e ações da empresa Ambipar.
Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I aparecem nos registros do Banco Central como integrantes do conglomerado BRB, o que indica a presença do banco estatal como cotista dessas estruturas.
Pessoas com conhecimento das operações afirmam que parte desses fundos foi transferida ao BRB como forma de compensação por prejuízos decorrentes da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas irregulares, adquiridas junto ao Banco Master antes de sua liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
A relação entre o BRB e fundos ligados ao Master está sendo analisada por uma auditoria externa contratada pela instituição do Distrito Federal, cujo objetivo é identificar eventuais falhas e responsabilidades na parceria com o banco controlado por Vorcaro.
Os oito fundos constavam nos balanços do Master, que figurava, conforme o caso, como cotista, gestor ou administrador, direta ou indiretamente. Dois deles também são citados em investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal, que apura a existência de uma rede de fundos utilizada para viabilizar as fraudes financeiras.
O conglomerado BRB engloba, além do banco, uma distribuidora de valores mobiliários, uma empresa de cartões e outros fundos de investimento. Controlado pelo governo do Distrito Federal, atualmente sob gestão do governador Ibaneis Rocha, o BRB já contabilizou perdas estimadas em R$ 2,6 bilhões relacionadas às carteiras adquiridas do Master.
Entre os ativos dos fundos, há participações em empresas ligadas a Vorcaro e a seu círculo familiar. O fundo imobiliário Supreme Realty, por exemplo, investiu cerca de R$ 145 milhões em uma empresa de desenvolvimento imobiliário que tem como dirigente Natalia Vorcaro, irmã do ex-banqueiro.
Outro fundo, o Strelitzia, detém aproximadamente R$ 452 milhões em participação na A.Life Partners, grupo responsável por redes conhecidas de bares e restaurantes. Em uma das operações, o fundo adquiriu ações da empresa em uma transação que envolveu também um fundo da XP. Parte dos recursos pagos foi aplicada em títulos de renda fixa emitidos pelo Banco Master, com prazos que coincidiam com o período anterior à liquidação da instituição financeira.
A XP informou que sua exposição ao Banco Master ocorreu apenas por meio de um fundo de private equity, sem utilização de recursos próprios, e que a venda da participação seguiu procedimentos regulares de mercado, com aprovação dos órgãos competentes.
Já os fundos Texas I e Kyra, também vinculados ao conglomerado BRB, são citados em investigações do MPF por investimentos em ações da Ambipar, empresa em recuperação judicial. As operações teriam reduzido significativamente a quantidade de ações disponíveis para negociação no mercado, provocando uma forte valorização dos papéis em curto espaço de tempo — movimento que também é analisado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Entre 2025, o BRB chegou a negociar a compra de participação relevante no Banco Master, incluindo ações ordinárias e preferenciais. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central após a identificação da venda de carteiras de crédito fraudulentas ao banco estatal. O episódio segue sob investigação da Polícia Federal.
Procurados, o BRB, o governo do Distrito Federal e representantes do Banco Master não se manifestaram sobre o caso até a publicação desta matéria.







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