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Gustavo Petro diz ter escapado de atentado durante voo de helicóptero na Colômbia

Presidente afirma que aeronave evitou pouso em Córdoba e permaneceu horas sobre o mar para fugir de possível ataque

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato enquanto estava a bordo de um helicóptero oficial.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquiv
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquiv

Segundo ele, a aeronave precisou permanecer em voo por cerca de quatro horas sobre o mar aberto após surgirem indícios de que poderia ser alvo de um ataque armado.

O episódio teria ocorrido na noite de segunda-feira, quando Petro tentava pousar no departamento de Córdoba, região localizada na costa caribenha do país. De acordo com o presidente, informações de segurança indicaram risco iminente, levando a tripulação a abortar o pouso.

“Não conseguimos descer porque havia o temor de que o helicóptero fosse alvejado”, relatou Petro durante uma reunião ministerial transmitida ao vivo. Ele afirmou que acabou aterrissando em um local diferente do planejado e disse ter escapado “por pouco” de ser morto.

Clima de tensão e denúncias de conspiração

A declaração ocorre em meio a um cenário de crescente violência política na Colômbia, a cerca de três meses das eleições presidenciais. Petro não poderá concorrer à reeleição, mas afirma que é alvo de ameaças constantes desde que assumiu o cargo, em agosto de 2022.

Segundo o presidente, um novo cartel do narcotráfico estaria por trás de um plano para assassiná-lo. Ele afirma que a articulação envolveria criminosos que atuam fora do país e líderes armados como Iván Mordisco, considerado o chefe da maior dissidência das antigas Farc.

O departamento de Córdoba é uma das principais áreas de atuação do Clã do Golfo, maior organização criminosa do país. Na semana passada, o grupo anunciou a suspensão das negociações de paz após Petro concordar com o governo dos Estados Unidos em intensificar ações contra seu principal líder, conhecido como Chiquito Malo.

Histórico de violência política

A Colômbia carrega um histórico marcado pelo assassinato de líderes de esquerda, inclusive candidatos à Presidência, em meio a alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e setores do Estado. Petro, primeiro presidente de esquerda do país, já havia denunciado outra tentativa de atentado em 2024, que o impediu de participar de um desfile militar no Dia da Independência.

Durante sua trajetória política, o atual presidente sempre contou com esquemas de segurança reforçados. Em campanhas eleitorais, chegou a aparecer em público protegido por seguranças com escudos balísticos, após denúncias de ameaças vindas de traficantes ligados à região cafeeira do país.

Sequestro de senadora indígena agrava crise

Ainda nesta terça-feira, Petro afirmou que a senadora indígena Aida Quilcué foi sequestrada no departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia, área marcada por conflitos armados e cultivo de coca. A região é controlada por dissidentes das Farc que romperam o acordo de paz firmado em 2016.

Segundo o presidente, a parlamentar foi capturada em território de seu próprio povo, os Nasa, que vivem sob constante ameaça de grupos armados ilegais. Petro classificou o sequestro como um ataque grave e afirmou que a não libertação da senadora representaria uma “linha vermelha” contra os povos indígenas do país.

De acordo com informações oficiais, Quilcué viajava em uma caminhonete acompanhada por dois seguranças quando foi interceptada. A Guarda Indígena encontrou o veículo abandonado, sem ocupantes. As buscas seguem em andamento.

Liderança indígena e alerta eleitoral

Aida Quilcué, de 53 anos, integra o Pacto Histórico, coalizão governista que elegeu Petro em 2022. Reconhecida liderança indígena, ela atua na defesa da autonomia territorial, dos direitos dos povos originários e da preservação cultural. Em 2021, recebeu o Prêmio Nacional de Defensores dos Direitos Humanos.

Organizações como a Missão de Observação Eleitoral (MOE) alertam que centenas de municípios colombianos correm risco de sofrer interferência armada e violência política durante o processo eleitoral de 2026.

Na semana passada, um ataque armado atingiu a comitiva de um senador na região de Arauca, na fronteira com a Venezuela. O parlamentar não estava no veículo, mas dois seguranças foram mortos.

O nível de alerta permanece elevado às vésperas das eleições legislativas de 8 de março e do primeiro turno presidencial, marcado para 31 de maio.

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