Guarda de provas do caso Master no STF pode comprometer apurações, avaliam especialistas
- Adilson Silva

- 14 de jan.
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Em investigações desse tipo, o procedimento mais comum é o envio imediato dos itens recolhidos para setores de perícia vinculados à estrutura da PF. A centralização do material no STF, segundo os peritos, levanta riscos relacionados à cadeia de custódia — conjunto de protocolos destinados a assegurar a integridade e a confiabilidade das provas desde a apreensão até sua análise.

Há também receio quanto ao armazenamento e à preservação de dados digitais, especialmente diante da possibilidade de acessos indevidos, perda de informações ou manipulação inadequada. Um dos peritos, que falou sob condição de anonimato, afirmou que não há clareza sobre onde exatamente o material ficará guardado no Supremo nem sobre quem será responsável por seu manuseio.
De acordo com esses especialistas, a situação pode abrir espaço para questionamentos por parte das defesas e até para discussões judiciais que resultem na invalidação de provas ou no comprometimento de toda a investigação. Para eles, a decisão também pode ser interpretada como um sinal de desconfiança em relação à Polícia Federal, já que não houve justificativa detalhada para impedir que o material fosse encaminhado à corporação.
Em nota, o gabinete do ministro Dias Toffoli informou que o acautelamento imediato dos itens no STF tem como objetivo garantir a preservação das provas coletadas, que posteriormente serão submetidas à perícia por autoridades competentes.
A determinação ocorreu no mesmo despacho em que Toffoli fez críticas à atuação da Polícia Federal e cobrou explicações, no prazo de 24 horas, do diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues. O ministro questionou o descumprimento de prazos estabelecidos na segunda fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco investigado.
No despacho assinado na terça-feira (13), Toffoli autorizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, decretou a prisão temporária de seu cunhado, Fabiano Zettel, e determinou a coleta de informações relacionadas ao empresário Nelson Tanure. As medidas haviam sido solicitadas pela Procuradoria-Geral da República no dia 6 de janeiro e autorizadas pelo ministro no dia seguinte, mas a operação só foi executada nesta quarta-feira.







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