Governo anuncia apoio a exportadores e estima impacto das tarifas dos EUA sobre 18% das vendas brasileiras
- Adilson Silva

- há 13 horas
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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) um pacote de apoio às empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A principal medida será o reforço do programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito para exportadores prejudicados pelas barreiras comerciais.

De acordo com estimativas do Executivo, a nova tarifa de 25% anunciada pelo governo do presidente Donald Trump deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões, com base nos números registrados em 2024.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa que reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros das áreas econômica, diplomática, industrial e ambiental. Também participaram o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e representantes do Ministério da Justiça.
A nova medida dos Estados Unidos prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre cerca de quatro mil produtos brasileiros e deve entrar em vigor na próxima quarta-feira (22).
Durante a apresentação, Geraldo Alckmin classificou a decisão norte-americana como "injusta" e afirmou que ela não encontra respaldo no histórico da balança comercial entre os dois países. Segundo o vice-presidente, os Estados Unidos acumulam superávit nas trocas comerciais com o Brasil, argumento que, na avaliação do governo, enfraquece a justificativa para a adoção das novas tarifas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também criticou a decisão de Washington e afirmou que o governo considera a medida uma interferência indevida nas relações comerciais. Segundo ele, o fortalecimento do programa Brasil Soberano tem como objetivo garantir capital para empresas exportadoras afetadas tanto pelas tarifas quanto pelos impactos econômicos decorrentes do conflito no Oriente Médio.
Além do apoio financeiro, o governo informou que encaminhará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, mecanismo que autoriza o Brasil a adotar medidas de resposta contra barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Em nota divulgada durante a madrugada, a Presidência da República condenou oficialmente a decisão do governo norte-americano e anunciou o início dos procedimentos para eventual utilização da legislação.
No comunicado, o Executivo sustenta que não há justificativa para a adoção unilateral das tarifas e afirma que dados do próprio governo dos Estados Unidos apontam um superávit acumulado de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.
O governo brasileiro também reiterou que rejeita acusações relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, à regulamentação das plataformas digitais e às políticas ambientais, afirmando que esses temas já foram discutidos durante as negociações bilaterais sem que houvesse comprovação das alegações apresentadas pelos Estados Unidos.








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