Empresas de petróleo admitem voltar à Venezuela, mas exigem garantias em encontro com Trump
- Adilson Silva

- 9 de jan.
- 2 min de leitura
Executivos de grandes petrolíferas norte-americanas afirmaram nesta sexta-feira (9) que avaliam retomar ou ampliar investimentos na Venezuela, mas condicionaram qualquer decisão à concessão de licenças, segurança jurídica e eventual apoio financeiro do governo dos Estados Unidos.

As declarações foram feitas durante reunião com o presidente Donald Trump, que pressiona o setor a ajudar a reativar a produção venezuelana.
O presidente-executivo da Exxon Mobil, Darren Woods, disse que a empresa considera possível um retorno ao país e estuda enviar técnicos nas próximas semanas. Ainda assim, classificou o ambiente atual como desfavorável para investimentos. Segundo ele, a companhia já teve ativos expropriados duas vezes ao longo da história venezuelana, o que exige mudanças profundas antes de uma nova entrada.
Woods afirmou que, nos moldes atuais, o marco regulatório e comercial da Venezuela torna o país inviável para novos aportes, defendendo alterações nos contratos, no sistema legal e na legislação do setor de hidrocarbonetos.
Trump afirmou que o governo americano oferecerá algum tipo de respaldo às empresas, sem detalhar o formato. O presidente também declarou que a Venezuela já forneceu cerca de 30 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos.
A reunião, realizada na Casa Branca, reuniu líderes das principais companhias do setor para discutir o futuro da exploração de petróleo no país sul-americano após a captura de Nicolás Maduro no último sábado (3). Durante o encontro, Trump adotou tom direto ao afirmar que outras empresas poderiam ocupar o espaço de quem não quisesse investir.
Desde a operação que resultou na queda do regime venezuelano, o setor passou a cobrar garantias legais, financeiras e de segurança para voltar a atuar no país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
O CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, afirmou que instituições financeiras dos EUA, como o Export-Import Bank, podem ser necessárias para viabilizar o financiamento de projetos no país. Já Harold Hamm, da Continental Resources, aliado político de Trump, evitou assumir compromissos, embora tenha demonstrado otimismo com o potencial venezuelano.
Trump disse esperar que não seja necessário oferecer garantias financeiras diretas às empresas, mas reforçou que o governo pretende facilitar o processo de retorno ao país.
O presidente-executivo da Shell, Wael Sawan, declarou que a companhia tem projetos bilionários prontos para avançar na Venezuela, desde que obtenha autorização das autoridades americanas. Ele lembrou que, antes das nacionalizações, a empresa produzia cerca de 1 milhão de barris por dia no país e manteve presença institucional mesmo após deixar as operações.
Segundo Sawan, há oportunidades relevantes de investimento que poderiam beneficiar a população venezuelana, caso o ambiente regulatório permita.
Representando a Chevron, o vice-presidente Mark Nelson afirmou que a empresa pode ampliar em até 50% a produção de suas operações atuais na Venezuela nos próximos dois anos. A companhia também indicou disposição para novos investimentos.
Nelson destacou que a Chevron mantém aproximadamente 3.000 funcionários em quatro parcerias no país e que, nos últimos anos, conseguiu elevar sua produção diária de cerca de 40 mil para aproximadamente 240 mil barris.







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