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Dólar sobe na abertura após Bolsonaro oficializar apoio a Flávio para disputa presidencial de 2026

O dólar iniciou esta sexta-feira (26) em alta no mercado brasileiro, marcando a retomada das negociações após o feriado de Natal. O movimento ocorre em meio à repercussão política da carta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual confirmou o apoio à candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República em 2026.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Por volta das 9h22, a moeda norte-americana avançava cerca de 0,5%, sendo negociada a R$ 5,558. Na última sessão antes do feriado, na terça-feira (24), o dólar havia recuado 0,93%, encerrando a R$ 5,531, enquanto o Ibovespa registrou alta de 1,46%, aos 160.455 pontos.

A movimentação desta manhã também foi influenciada pelo cancelamento de uma entrevista de Jair Bolsonaro, o que chegou a levantar dúvidas no mercado sobre uma eventual hesitação do ex-presidente em confirmar o nome de Flávio para a corrida eleitoral. A entrevista seria a primeira manifestação pública de Bolsonaro desde sua prisão por tentativa de golpe de Estado.

O avanço do senador em levantamentos eleitorais tem despertado preocupação entre agentes financeiros. A leitura predominante é que uma candidatura de Flávio pode fragmentar o campo oposicionista ao governo Lula (PT), aumentando as chances de reeleição do atual presidente.

Na pesquisa mais recente do instituto Bloomberg/AtlasIntel, divulgada na quinta-feira (18), Flávio Bolsonaro aparece com 21,3% das intenções de voto, à frente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que soma 15%. Lula lidera com 47,9%.

Desde que Flávio passou a se colocar oficialmente como candidato, investidores vêm desmontando posições conhecidas no mercado como “Tarcísio Trade” — operações que apostavam na valorização de ativos brasileiros em caso de uma eventual vitória do governador paulista em 2026.

O cenário político contribui para elevar a volatilidade, especialmente nos mercados de câmbio e renda variável, antecipando um ambiente de maior sensibilidade nos próximos meses.

Além do fator político, o dólar reagiu aos leilões de linha promovidos pelo Banco Central, que somaram US$ 2 bilhões. Nesse tipo de operação, há compromisso de recompra por parte da autoridade monetária. A liquidação das vendas ocorre nesta sexta-feira, enquanto as recompras estão programadas para maio e junho de 2026.

As intervenções do BC ajudam a reduzir a pressão sobre a moeda em um período tradicionalmente marcado por maior demanda por dólares, devido às remessas ao exterior. Em dezembro, empresas costumam enviar recursos para pagamento de dividendos, movimento que neste ano foi intensificado pela antecipação da cobrança de imposto sobre essas operações.

A partir de janeiro, entra em vigor a alíquota de 10% sobre remessas ao exterior, além da taxação de dividendos recebidos acima de R$ 50 mil mensais.

Indicadores econômicos também influenciaram os negócios. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,25% em dezembro, segundo o IBGE. Com isso, o índice acumulou alta de 4,41% em 2025, permanecendo dentro do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.

O resultado ficou abaixo das projeções de analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam avanço de 0,27% no mês, reforçando a percepção de desaceleração inflacionária.

Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado indica continuidade do processo de desinflação. Segundo ele, a expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais moderada, o que pode abrir espaço para o início do ciclo de cortes na taxa Selic.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro. O colegiado avaliou que a manutenção dos juros é adequada para garantir a convergência da inflação à meta, mas não descartou um eventual corte já no início de 2026.

No cenário internacional, dados dos Estados Unidos também repercutiram no mercado. O PIB norte-americano cresceu 4,5% no último trimestre na comparação anual, ritmo acima do esperado, impulsionado principalmente pelos gastos dos consumidores. Ainda assim, há sinais de desaceleração do consumo em alguns setores, especialmente após o aumento do custo de vida e recentes incertezas fiscais.

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