top of page

Dívidas quitadas no Will Bank reaparecem no BRB e geram restrições a clientes

Consumidores que já haviam encerrado pendências financeiras com o Will Bank relatam um novo problema: a reaparição dessas dívidas vinculadas ao BRB (Banco de Brasília). Em alguns casos, os débitos constam como ativos ou em atraso, mesmo após quitação, causando bloqueios de crédito e prejuízos pessoais e profissionais.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

As informações vieram à tona após reportagem do jornal O Globo e foram confirmadas por outros veículos. A situação estaria relacionada à compra de carteiras de crédito pelo BRB em operações envolvendo o Banco Master, antigo controlador do Will Bank. O banco estatal, contudo, não detalhou qual negociação específica resultou na incorporação desses contratos.

Os registros aparecem no SCR (Sistema de Informações de Crédito), mantido pelo Banco Central e acessado pelos próprios consumidores por meio da plataforma Registrato. Clientes afirmam que valores já pagos continuam sendo atualizados com juros, como se as dívidas estivessem em aberto.

Um dos casos é o da trabalhadora rural Derlane Hermisdolffe, de 34 anos, moradora de Água Doce do Norte (ES). Ela renegociou uma dívida de cartão de crédito com o Will Bank, quitando o valor acordado à vista. Após encerrar a conta, foi surpreendida ao descobrir um débito em seu nome atribuído ao BRB, que já ultrapassa R$ 50 mil. Segundo ela, o banco informou que analisará o caso até o dia 11 de fevereiro, enquanto o valor segue crescendo.

Em nota, o BRB atribuiu o problema à falta de repasse de informações após a liquidação do Will Bank. De acordo com o banco, caberia à instituição de origem acompanhar os pagamentos e comunicar as quitações ao comprador da carteira. Com a interrupção desse fluxo, contratos já encerrados passaram a constar como ativos ou inadimplentes no sistema do Banco Central.

O banco afirma que está apto a corrigir imediatamente os registros assim que houver retorno do administrador responsável pela liquidação do Will Bank.

Outro relato é o da assistente de logística Lavínia Machado, de 28 anos, que teve um financiamento imobiliário negado após surgir uma restrição vinculada ao BRB em seu CPF. Ao consultar o Registrato, ela identificou uma suposta dívida superior a R$ 3 mil. Segundo Lavínia, o banco informou que valores pagos pelos clientes do Will Bank não estariam sendo corretamente repassados. Mesmo após promessa de solução em poucos dias, o problema persiste, e ela já recorreu à Justiça.

Situação semelhante foi vivida por Laís Rocha, de 21 anos, que afirma manter em dia um parcelamento de fatura no Will Bank. Ainda assim, seu score de crédito caiu após surgir uma dívida vencida atribuída ao BRB, com valor muito superior às parcelas que vinha pagando. Ela relata não ter recebido qualquer aviso de inadimplência pelo aplicativo do banco original.

As reclamações também se acumulam em plataformas como o Reclame Aqui, onde consumidores relatam restrições financeiras decorrentes de dívidas que dizem desconhecer ou já terem quitado.

Para o advogado Jorge Calazans, especialista em fraudes financeiras, problemas desse tipo são relativamente comuns em processos de liquidação extrajudicial, especialmente quando há migração de bases de dados e falhas na comunicação entre instituições. Segundo ele, embora o liquidante nomeado pelo Banco Central seja responsável pela correção das informações, pode haver corresponsabilidade do banco que adquiriu a carteira, a depender do seu papel no tratamento dos dados.

O advogado destaca que consumidores têm direito à correção imediata de informações incorretas e podem buscar indenização por danos morais e materiais, já que restrições indevidas afetam diretamente o acesso a crédito e serviços bancários.

Como agir ao identificar uma dívida indevida

Especialistas recomendam que o consumidor, ao identificar um débito irregular, procure inicialmente os canais administrativos da instituição envolvida e do responsável pela liquidação, solicitando formalmente a correção. Também é indicado registrar reclamação no Procon e contestar as informações junto ao Banco Central por meio do Registrato.

Caso o problema não seja resolvido ou haja urgência, é possível recorrer ao Judiciário para solicitar a retirada imediata do apontamento, inclusive com pedido de liminar, além de eventual indenização. É fundamental reunir comprovantes de pagamento e documentos que demonstrem a quitação da dívida, lembrando que ações indenizatórias seguem prazo prescricional de três anos.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
BANNER-MULTIVACINAÇÃO-728x90px---PMS.gif

© 2023 por Amaury Aquino e Design Digital

bottom of page