Documentos inéditos do caso Epstein revelam persistência de vínculos com a elite global após condenação
- Adilson Silva

- há 1 hora
- 3 min de leitura
Uma nova divulgação de arquivos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacendeu o debate em torno do caso Jeffrey Epstein.
O material, que soma mais de três milhões de documentos agora incorporados ao acervo público, amplia de forma significativa o mapeamento das relações mantidas pelo financista, condenado por crimes sexuais envolvendo menores, e por sua principal associada, Ghislaine Maxwell.
Os registros incluem e-mails, convites, fotografias, agendas de viagem e anotações logísticas que apontam para a proximidade de Epstein com figuras influentes da política, do mercado financeiro, do entretenimento e da realeza europeia. Um dos aspectos mais sensíveis do novo lote de documentos é a indicação de que parte dessas relações teria continuado mesmo após a condenação do financista, em 2008.
Circulação contínua após condenação judicial
De acordo com os arquivos, Epstein manteve vida social ativa por anos depois de ter sido condenado, com registros de encontros, jantares e trocas frequentes de mensagens em centros como Nova York e Londres, além de sua ilha privada no Caribe — local frequentemente associado às investigações de abuso.
Investigadores e analistas destacam que os documentos sugerem a existência de uma rede estável de contatos, e não apenas interações pontuais. A permanência de Epstein nesses círculos levanta questionamentos sobre o grau de tolerância e omissão de pessoas que seguiram frequentando seu entorno mesmo após a ampla divulgação de seus crimes.
Trocas de mensagens com Elon Musk
Entre os documentos recentemente tornados públicos, surgem e-mails envolvendo o empresário Elon Musk, datados de 2012. As mensagens mostram comunicação direta entre Musk e Epstein, com menções à ilha do financista e discussões sobre logística de deslocamento, incluindo o uso de helicóptero.
Em uma das trocas, Epstein questiona sobre o melhor momento para eventos na ilha. Em outra, Musk menciona que estaria acompanhado apenas de Talulah Riley, atriz britânica com quem teve dois casamentos. Os arquivos não confirmam se a visita chegou a ocorrer.
Após a divulgação, Musk afirmou publicamente que teve contato mínimo com Epstein, que recusou convites para a ilha e para voos no jato associado ao financista, e alertou para o risco de interpretações equivocadas a partir de mensagens isoladas. Ainda assim, os documentos confirmam a existência de um canal direto entre ambos.
Novas imagens reacendem pressão sobre o ex-príncipe Andrew
O material divulgado também inclui fotografias inéditas envolvendo o ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III. As imagens mostram o ex-integrante da família real britânica em situações de proximidade física com uma mulher cuja idade não é especificada nos registros.
As fotos reforçam suspeitas antigas sobre a relação de Andrew com Epstein e Maxwell. Após a divulgação, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, convocou o ex-príncipe a prestar esclarecimentos ao Congresso dos Estados Unidos, ampliando o alcance político do caso.
Além das imagens, um e-mail de 2010 revela um convite feito por Epstein a Andrew para um jantar em Londres, na companhia de uma mulher descrita como uma “russa de 26 anos”, apenas dois anos após a condenação do financista — episódio que intensificou críticas à manutenção do vínculo.
Relação com Bill Clinton volta ao debate
Os documentos também aprofundam informações sobre o contato entre Epstein e o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Fotografias inéditas mostram Clinton em uma banheira de hidromassagem ao lado de uma pessoa identificada por investigadores como vítima de abuso.
E-mails anexados indicam comunicações frequentes entre Ghislaine Maxwell e integrantes da equipe de Clinton entre 2001 e 2004, período em que o ex-presidente realizou viagens em aeronaves associadas a Epstein, segundo análises de veículos internacionais.
A defesa de Clinton afirma que ele não enviou nenhum dos e-mails incluídos nos arquivos e sustenta que as mensagens tratam apenas de aspectos logísticos, como convites e deslocamentos, sem referência direta a irregularidades.
Trump citado sem comprovação formal
O novo conjunto de documentos inclui ainda registros do FBI com alegações envolvendo o presidente Donald Trump. As denúncias somam cerca de uma dúzia, mas os próprios relatórios apontam ausência de provas concretas, descrevendo parte das informações como não verificadas ou de origem indireta.
Os relatos mencionam supostos episódios em Mar-a-Lago, mas indicam dificuldades na identificação de denunciantes e inexistência de elementos que sustentem acusações formais. Trump nunca foi denunciado judicialmente no caso e nega qualquer envolvimento.
Outros nomes e a dimensão da rede
Entre os milhares de registros, aparecem ainda referências a empresários e figuras públicas, como o secretário de Comércio Howard Lutnick, citado em planejamento de uma possível visita à ilha em 2012 — sem confirmação de que a viagem tenha ocorrido — e o produtor de Hollywood Steve Tisch, mencionado repetidamente em comunicações de cunho social.
A nova leva de documentos amplia a compreensão sobre a extensão da rede construída por Epstein ao longo de décadas e reforça o impacto duradouro do caso, que segue produzindo repercussões políticas, institucionais e jurídicas em escala global.








Comentários