Congresso do Peru declara vacância da Presidência e destitui José Jerí às vésperas da eleição
- Adilson Silva

- há 2 dias
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O Congresso da República aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente interino José Jerí, declarando vaga a chefia do Executivo. Ele se torna o oitavo ocupante do cargo em uma década no país, marcado por sucessivas crises políticas.

Jerí estava sob investigação por suposto tráfico de influência e enfrentava pressão crescente tanto dentro quanto fora do Parlamento. A votação ocorreu em meio à proximidade das eleições gerais, agendadas para 12 de abril.
A escolha do novo presidente está prevista para esta quarta-feira (18), às 16h (horário de Brasília). Pelo rito constitucional, o Congresso precisa eleger um novo presidente do Legislativo, que assumirá interinamente o comando do país.
Contexto político e pressão popular
O então presidente havia assumido o cargo em 10 de outubro, após a destituição de Dina Boluarte, afastada por incapacidade para continuar no posto. Sua gestão, inicialmente vista com expectativa positiva, perdeu força com o avanço das investigações.
Segundo o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi, 115 parlamentares estavam aptos a votar, sendo necessária maioria simples — ao menos 58 votos — para aprovar a moção de vacância.
Do lado de fora do Parlamento, manifestantes protestaram contra Jerí, acusando-o de conduta inadequada. O agora ex-presidente, por sua vez, nega irregularidades e sustentava que tinha legitimidade para permanecer no cargo até o pleito.
Ambiente eleitoral e repercussão internacional
A decisão do Congresso ocorre em meio a uma disputa eleitoral fragmentada, com mais de 30 candidatos na corrida presidencial. O prefeito de Lima e candidato Rafael López Aliaga pressionava publicamente pela saída de Jerí.
Já o embaixador dos Estados Unidos em Lima, Bernie Navarro, declarou que a troca frequente de presidentes não é um cenário desejável para a estabilidade institucional do país.
A popularidade de Jerí havia recuado para 37%, segundo pesquisas locais, após denúncias relacionadas a um encontro reservado com um empresário e suspeitas de interferência em processos de contratação no governo.
Com a nova destituição, o Peru aprofunda um ciclo de instabilidade política que se arrasta há anos, às vésperas de mais uma eleição decisiva.







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