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Colômbia se torna o primeiro país amazônico a abandonar exploração de petróleo e mineração na floresta

A Colômbia anunciou oficialmente que deixará de explorar combustíveis fósseis e realizar mineração de grande escala na Amazônia, tornando-se a primeira nação do bloco amazônico a assumir esse compromisso. A declaração foi feita nesta quinta-feira (13) durante reunião da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), realizada no contexto da COP30, em Belém (PA).


Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo
Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo

A decisão foi apresentada por representantes do governo colombiano, que também convidaram os demais países que compartilham o bioma a aderirem ao movimento. A proposta, segundo a delegação, visa transformar a Amazônia em referência global de ação climática, justiça ambiental e proteção da natureza.

Dados da organização Earth Insight apontam que cerca de 14% da Amazônia continental está sobreposta a áreas de exploração ou prospecção de petróleo e gás — o equivalente a aproximadamente 740 mil km², mais que o dobro do território goiano.


"Proteção total do território"

A posição colombiana foi detalhada pela ministra interina do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Irene Vélez Torres. Segundo ela, embora apenas 7% do bioma amazônico esteja dentro do país, a região representa 42% do território colombiano — motivo pelo qual o governo decidiu ampliar as áreas protegidas, que agora somam mais de 483 mil km².

"Proteger a Amazônia não é uma renúncia econômica, mas um compromisso ético com o futuro do planeta", afirmou Vélez.


Outras nações amazônicas não acompanham a decisão

A medida, porém, ainda não encontra consenso entre os países da região. O Brasil, por exemplo, já explora gás natural em território amazônico e avalia possíveis reservas offshore na costa da Foz do Amazonas. Em um dos debates da COP30, o líder indígena Jonas Mura, da aldeia Gavião Real (AM), criticou a exploração de gás em áreas tradicionais.

"Nossa água, nossa floresta e nossa pesca estão desaparecendo. Estão extraindo recursos de um território que é sagrado para nós", declarou.

As demandas variam entre os países amazônicos: enquanto Bolívia depende fortemente das reservas de gás da floresta, a Colômbia concentra a maior parte de seus recursos fósseis fora da Amazônia, especialmente na região da Orinoquia.


Histórico de debate

A postura colombiana começou a ganhar forma ainda em 2023, na Cúpula da Amazônia, também realizada em Belém. Naquele momento, o presidente Gustavo Petro chegou a criticar governos progressistas da região, acusando-os de ignorar os impactos do mercado de petróleo e gás no clima global.

O setor de mineração e energia hoje representa cerca de 7% do PIB do país, além de ser responsável por 56% das exportações, um terço do investimento estrangeiro e mais de meio milhão de postos de trabalho — o que reforça o peso da decisão anunciada na COP30.


Pressão por governança indígena

A ONG 350.org reagiu positivamente ao anúncio, chamando a ação de "marco político". Porém, Helena Mullënbach, que representa a organização no país, alertou que a legitimidade do compromisso dependerá do protagonismo dado às comunidades tradicionais.

"É essencial que o processo seja liderado pelos povos indígenas, guardiões históricos da Amazônia colombiana", disse ela, citando conflitos territoriais como o caso da proposta de mineração da Libero Copper em Putumayo.

A decisão colombiana lança um novo capítulo nas discussões sobre o futuro da Amazônia — um bioma que, segundo cientistas, está próximo de um ponto de não retorno climático. O anúncio agora pressiona os demais países amazônicos a definirem até onde irão na transição energética e na proteção do maior ecossistema tropical do planeta.

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