Banco Master destinou cerca de R$ 60 milhões a eventos com autoridades no exterior, apontam investigações
- Adilson Silva

- há 2 horas
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Recursos teriam financiado encontros de alto padrão em cidades como Londres, Nova York e Lisboa
Documentos reunidos pela Polícia Federal indicam que o Banco Master realizou gastos elevados para financiar eventos internacionais que reuniram autoridades brasileiras em 2024.

Os custos, que somam cerca de R$ 60 milhões, teriam sido acompanhados de perto pelo então dirigente da instituição, Daniel Vorcaro.
As despesas incluem encontros realizados em Londres, Nova York e Lisboa, com programação que mesclava atividades institucionais e eventos sociais marcados por alto nível de sofisticação.
O maior investimento ocorreu durante um fórum jurídico realizado em Londres, onde os gastos ultrapassaram R$ 38 milhões. O evento reuniu integrantes do Judiciário, Executivo e Legislativo, além de representantes da iniciativa privada. Entre os presentes estavam ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do ex-presidente Michel Temer.
A programação incluiu hospedagem em hotel de alto padrão, jantares em restaurantes renomados e eventos paralelos em espaços exclusivos da capital britânica. Também foram promovidas ações de entretenimento, distribuição de brindes e experiências voltadas aos convidados.
Na etapa seguinte, em Nova York, os gastos foram estimados em cerca de R$ 13 milhões. Além da participação em eventos ligados à agenda institucional brasileira nos Estados Unidos, houve encontros privados com convidados, incluindo degustações e distribuição de produtos de alto valor.
Já em Lisboa, durante outro fórum jurídico, os custos ultrapassaram R$ 8 milhões. A programação manteve o padrão observado nas demais cidades, com eventos sociais, apresentações e deslocamentos em aeronaves fretadas.
As investigações também apontam que, além do financiamento das atividades, houve aproximação entre o empresário e diversas autoridades presentes, inclusive fora do ambiente institucional. Esse ponto tem sido analisado sob a ótica de possíveis conflitos de interesse, já que parte das agendas mesclava compromissos públicos e encontros privados.
Procurados, participantes dos eventos afirmaram que estiveram presentes em razão de convites institucionais e destacaram o caráter técnico das programações oficiais. Algumas autoridades ressaltaram ainda que aproveitaram as viagens para cumprir agendas relacionadas às suas funções.
O caso segue sob apuração e levanta questionamentos sobre a relação entre o setor privado e agentes públicos em eventos realizados fora do país, especialmente quando envolvem custos elevados e estrutura de alto padrão.







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