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Após visita a cela, bispo relata fragilidade física e emocional de Bolsonaro

O bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atravessa um momento delicado desde que passou a visitá-lo na prisão, em Brasília.

Segundo o líder religioso, Bolsonaro apresenta sinais de desgaste físico e emocional, quadro que ele descreve como uma “espiral preocupante”.

A avaliação foi feita após uma visita realizada na última sexta-feira (30), que durou cerca de uma hora. Durante o encontro, Bolsonaro comentou sobre o cenário político e disse acreditar que o ambiente eleitoral deve ganhar mais intensidade após o Carnaval. O ex-presidente também reafirmou a preferência pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como nome para disputar a Presidência da República.

De acordo com Rodovalho, a maior parte da conversa teve caráter espiritual e médico. Ele relata que encontrou Bolsonaro visivelmente debilitado, sem disposição para se alimentar. “Cheguei por volta das 10h30 e ele ainda não tinha tomado café da manhã. Também não demonstrava vontade de almoçar”, afirmou.

O bispo tem autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prestar assistência religiosa periódica ao ex-presidente. Durante a visita, uma equipe médica entrou na cela para aferir a pressão arterial de Bolsonaro. Segundo Rodovalho, o ex-presidente apresentou crises prolongadas de soluço e efeitos colaterais após o uso de medicamentos. “Quando o remédio faz efeito, o soluço diminui, mas ele fica tonto, meio grogue”, relatou.

Grande parte do tempo foi passada a sós na cela. Nesse período, Rodovalho leu um trecho do Salmo 103, que trata de renovação espiritual e compara o ser humano a uma águia que recupera suas forças. Os dois também entoaram a canção religiosa “Deus está aqui”, sem acompanhamento musical.

O líder evangélico contou que tentou transmitir uma mensagem de encorajamento. “Disse a ele que a fé ajuda a fortalecer a mente e que não se pode ceder à desesperança”, afirmou. Segundo Rodovalho, Bolsonaro questionou quais fatores poderiam gerar esperança naquele momento.

“A resposta foi que nem sempre sabemos. A vida é cheia de imprevistos”, disse o bispo, que citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo de reviravolta política. “Quem poderia imaginar que ele sairia da prisão e voltaria à Presidência da República?”, concluiu.

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