Aprovação do novo limite do IR fortalece Lula, mas desafios no Congresso seguem no horizonte
- Adilson Silva

- 2 de out.
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou, nesta semana, uma importante vitória política com a aprovação, por unanimidade na Câmara dos Deputados, da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais.

Foram 493 votos favoráveis e nenhum contrário, um resultado raro em tempos de fragmentação política. A medida é considerada um alívio direto para milhões de brasileiros da classe média e dos setores mais populares, que há anos reivindicavam uma atualização na tabela. Além disso, o Palácio do Planalto aposta nesse avanço como uma espécie de “cartão de visitas” para a disputa eleitoral de 2026, reforçando o discurso de que o governo busca aliviar o peso tributário sobre os que ganham menos.
Vitória atribuída ao impacto social, não ao governo
Apesar da conquista, lideranças do chamado Centrão fizeram questão de relativizar os méritos do Executivo. Para eles, a aprovação não foi um gesto de apoio político direto a Lula, mas sim uma resposta ao clamor social. O deputado Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA), por exemplo, destacou que “não é de interesse do governo, é do Brasil”.
Esse tipo de declaração revela uma estratégia recorrente: deputados procuram marcar distância do Planalto, mesmo quando votam a favor de pautas defendidas por ele, como forma de manter independência e evitar desgaste junto ao eleitorado mais crítico ao presidente.
Próximas batalhas no Congresso
A vitória no Imposto de Renda, no entanto, não elimina os obstáculos que o governo terá de enfrentar. O próximo desafio é a votação da Medida Provisória que substitui o aumento do IOF, proposta voltada para a tributação de instrumentos financeiros. A apreciação foi adiada e, caso não seja analisada até a próxima semana, a medida perderá validade.
Outro ponto sensível envolve o projeto que prevê corte de benefícios fiscais — um tema sempre polêmico em Brasília, já que impacta diretamente setores empresariais com forte lobby no Congresso. Até o momento, o texto sequer tem relator definido, o que indica possíveis dificuldades para avançar.
Essa aprovação do IR é, sem dúvida, um respiro político para Lula em meio a tantas pressões. Mas é preciso ter clareza: medidas de impacto direto no bolso do trabalhador são relativamente fáceis de aprovar, pois poucos parlamentares se arriscariam a votar contra. Já quando se trata de mudanças que afetam o mercado financeiro ou setores com grande poder de pressão, a história costuma ser bem diferente.
Em outras palavras, o governo conseguiu marcar um gol importante, mas o jogo no Congresso está longe de ser vencido. O Centrão continuará sendo o fiel da balança — apoiando quando for popular, mas impondo resistência quando houver risco de desgaste político ou perdas econômicas para grupos de interesse.







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