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Aplicativo do FGC enfrenta instabilidade no início do ressarcimento a investidores do Banco Master

O aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), utilizado para a solicitação de ressarcimento de investidores do Banco Master, apresentou falhas poucas horas após a liberação dos pagamentos, anunciada na manhã deste sábado (17). Usuários relataram dificuldades de acesso e funcionamento da plataforma, principalmente por meio das redes sociais.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

Em resposta, o FGC informou que a instabilidade foi provocada pelo elevado número de acessos simultâneos registrados com o início do pagamento da garantia aos credores dos Bancos Master, Master de Investimentos e Letsbank. De acordo com o fundo, até o meio-dia, o sistema havia contabilizado mais de 140 mil acessos.

Segundo o FGC, a estrutura tecnológica do aplicativo conta com mecanismo de autoescala, o que deve permitir a normalização gradual do serviço ao longo das próximas horas. As equipes técnicas seguem monitorando a plataforma e adotando medidas para ampliar o desempenho e a estabilidade do sistema.

Entre as principais reclamações dos investidores estão a dificuldade para concluir o cadastro, avançar nas etapas do pedido de ressarcimento e realizar o envio de documentos exigidos, especialmente no momento de upload dos arquivos.

O início dos pagamentos ocorre após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Têm direito ao ressarcimento investidores que mantinham recursos em conta corrente ou aplicações financeiras, como CDBs, na instituição.

A operação envolve o pagamento de aproximadamente R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores, configurando o maior ressarcimento já realizado pelo FGC. O fundo informou que o prazo de 60 dias entre a liquidação do banco e o início dos pagamentos foi superior ao habitual devido à complexidade e à dimensão do caso.

Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que o volume da operação exigiu um esforço extraordinário das equipes envolvidas. Segundo ele, profissionais do liquidante e do próprio fundo atuaram de forma contínua para organizar os dados e viabilizar os pagamentos no menor tempo possível. Inicialmente, a estimativa era de até 1,6 milhão de investidores.

Apesar das dificuldades técnicas, o FGC reforça que o pagamento não é automático. Para receber os valores, é necessário realizar o cadastro no aplicativo oficial e seguir o procedimento definido pelo fundo, que fará os depósitos diretamente em contas de mesma titularidade do credor.

O fundo também alertou para tentativas de golpe e reforçou que todo o processo de ressarcimento deve ser feito exclusivamente por seus canais oficiais. O valor máximo garantido é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos até a data da liquidação do banco, sem correção posterior pela inflação ou pela taxa Selic.

Especialistas avaliam que, apesar do alto valor envolvido, o caso não representa risco sistêmico para o sistema financeiro. O FGC dispõe de cerca de R$ 125 bilhões em recursos, conforme relatório divulgado em novembro de 2025. Até então, o maior desembolso havia ocorrido na liquidação do Bamerindus, em 1997.

O Banco Master teve sua liquidação determinada pelo Banco Central em razão de uma grave crise de liquidez e de irregularidades no cumprimento das normas do Sistema Financeiro Nacional. Investigações apontam indícios de operações simuladas, uso de intermediários e avaliação artificial de ativos sem liquidez. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser detido ao tentar deixar o país, mas foi liberado posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica.

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