Alcolumbre demonstra entusiasmo com possível nomeação de Pacheco ao STF; senador mineiro avalia futuro político em meio a dilemas eleitorais
- Adilson Silva

- 10 de out.
- 3 min de leitura
10 de outubro de 2025 | 11h29
Por Redação Fatos Políticos
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem deixado claro o entusiasmo com a possibilidade de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A relação de amizade e confiança entre os dois senadores faz com que Alcolumbre não esconda o desejo de ver o colega ocupando uma cadeira na mais alta Corte do país.
Nos bastidores, Alcolumbre tem dito que trabalhará para garantir a aprovação expressiva de Pacheco no Senado, caso a indicação realmente aconteça. Segundo relatos, ele teria comentado que o mineiro pode alcançar um recorde de votos na Casa — algo próximo à unanimidade.

Entre o Supremo e o governo de Minas: o dilema de Pacheco
Enquanto o apoio político cresce, Rodrigo Pacheco enfrenta um impasse. O senador mineiro é apontado por aliados como um dos nomes mais fortes para ocupar a vaga que será deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que anunciou aposentadoria antecipada.
Entretanto, o caminho até o STF não é simples. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado publicamente a intenção de ver Pacheco disputando o governo de Minas Gerais em 2026, um estado estratégico para o projeto de reeleição do petista.
Interlocutores afirmam que Pacheco ainda não tomou uma decisão definitiva. Ele reconhece que, sem sua candidatura, a frente ampla de Lula em Minas pode ficar enfraquecida diante do avanço da direita no estado — que hoje conta com nomes de peso como Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Matheus Simões (Novo), vice do governador Romeu Zema (Novo).
Cenário mineiro complica cálculo político do Planalto
A situação eleitoral em Minas é considerada delicada para o governo federal. Apesar das boas relações de Lula com figuras como Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia, e Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, o Palácio do Planalto avalia que ambos não têm força suficiente para enfrentar a oposição bolsonarista no estado.
Durante entrevista à rádio Itatiaia, em agosto, Lula chegou a reforçar a importância de Pacheco na disputa estadual:
“Tenho certeza de que venceremos em Minas Gerais com o Pacheco. É só ele aceitar ser candidato. Se for, será o futuro governador do estado”, afirmou o presidente.
Bastidores no Senado e articulação pró-Pacheco
No Senado, Davi Alcolumbre tem se movimentado para consolidar o apoio ao colega. Antes mesmo de Barroso confirmar sua aposentadoria, o senador do Amapá já articulava em favor de Pacheco, destacando seu perfil equilibrado e o respeito que conquistou entre os pares.
Fontes próximas relatam que Alcolumbre teria dito em tom descontraído que apenas Eduardo Girão (Novo-CE), conhecido por suas posições contrárias ao Supremo, não votaria a favor da indicação.
Além de sua influência política, Alcolumbre costuma elogiar o estilo ponderado de Pacheco, ressaltando que o Supremo e as instituições democráticas se beneficiariam de alguém com sua postura conciliadora.
Apoios de ministros e aliados no Judiciário
O nome de Rodrigo Pacheco também tem ecoado positivamente dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. O ministro Gilmar Mendes já demonstrou simpatia pela possível indicação, afirmando em um evento social que o senador mineiro tem perfil e competência jurídica para integrar a Corte.
“O STF precisa de pessoas maduras e qualificadas. O senador Pacheco seria um excelente nome”, disse Gilmar, em tom de apoio.
Além de Gilmar, Alexandre de Moraes mantém relação próxima com Pacheco, e a ministra Cármen Lúcia também já fez elogios públicos ao parlamentar em ocasiões anteriores.
A despedida de Barroso e a janela de oportunidade
A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, anunciada na quinta-feira (9), abriu oficialmente a disputa pela nova vaga no Supremo. Barroso, que tem 67 anos, poderia permanecer no cargo até 2033, mas decidiu encerrar a carreira antes do prazo constitucional.
Em discurso emocionado, ele afirmou:
“Sinto que é hora de seguir outros caminhos. Não tenho apego ao poder e desejo viver um pouco mais da vida longe das obrigações e da exposição pública.”
A saída de Barroso cria o cenário ideal para uma possível indicação de Pacheco, embora o dilema político mineiro siga sendo um obstáculo que Lula e o próprio senador precisarão resolver nos próximos meses.
Conclusão: um jogo de xadrez entre o STF e Minas Gerais
A situação de Rodrigo Pacheco reflete o equilíbrio delicado entre ambição pessoal, responsabilidade política e estratégia partidária. De um lado, a honraria e a estabilidade de uma vaga vitalícia no Supremo; de outro, a missão de liderar o projeto lulista em um dos estados mais importantes do país.
Enquanto Alcolumbre se movimenta nos bastidores e o Planalto calcula os impactos eleitorais, o senador mineiro se vê no centro de uma das decisões mais complexas de sua carreira.







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