Alckmin sinaliza ao PT que não disputará cargo em São Paulo se deixar chapa de Lula
- Adilson Silva

- há 4 horas
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), já comunicou a dirigentes do PT que não pretende concorrer a nenhum cargo eletivo caso seja retirado da chapa presidencial encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tentativa de reeleição em 2026.

De acordo com interlocutores próximos ao vice-presidente, a manifestação não foi feita em tom de ameaça ou rompimento político. Alckmin teria deixado claro que continuaria apoiando Lula mesmo fora da disputa eleitoral, optando por não se candidatar a cargos como governador ou senador em São Paulo.
Dentro do PT, entretanto, há setores que defendem a possibilidade de Alckmin integrar uma chapa estadual robusta em São Paulo, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB). A estratégia buscaria fortalecer o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país. Tanto Alckmin quanto Haddad, no entanto, já sinalizaram resistência à ideia de concorrer.
Até o fim do ano passado, a manutenção da chapa Lula-Alckmin era tratada como praticamente certa. A relação entre os dois se estreitou desde as eleições de 2022, e o PSB tem pressionado internamente para que o vice permaneça na mesma posição em 2026.
Nos últimos meses, porém, o presidente passou a dar sinais reservados de que poderia reavaliar o arranjo político. Na última quinta-feira (5), Lula indicou publicamente essa possibilidade ao afirmar que Alckmin e Haddad teriam “um papel a cumprir em São Paulo”, sem detalhar se isso implicaria mudanças na composição da chapa presidencial.
Uma eventual reformulação teria como objetivo não apenas ampliar a competitividade eleitoral em São Paulo, mas também abrir espaço para a entrada de outro partido na vice-presidência, fortalecendo a aliança nacional. O MDB surge como uma das hipóteses, embora o partido esteja dividido internamente e se aproxime, em parte, do PSD, que também articula nomes para a disputa presidencial.
Aliados de Alckmin avaliam que sua permanência na vice é estratégica para Lula, especialmente pela capacidade do ex-governador paulista de dialogar com setores tradicionalmente mais resistentes ao PT, como o empresariado e segmentos do agronegócio. À frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin manteve interlocução constante com grandes exportadores e lideranças econômicas.
Há ainda o receio de que a retirada de Alckmin da chapa possa enfraquecer a relação do PSB com o governo federal, colocando em risco a continuidade da aliança. Até o momento, Lula e o vice não teriam tratado diretamente sobre uma possível mudança, o que indica que qualquer decisão nesse sentido exigirá negociação cuidadosa.
Publicamente, Lula costuma elogiar Alckmin, a quem define como um aliado leal e qualificado. A fidelidade política do vice é frequentemente citada por petistas e dirigentes do PSB como um diferencial, especialmente diante do histórico traumático do PT com a ruptura protagonizada por Michel Temer, vice de Dilma Rousseff, que assumiu a Presidência após o impeachment em 2016.







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