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Acordo entre Lula e Hugo Motta acelera debate sobre fim da escala 6x1 e mobiliza empresários no Senado

O acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acelerou as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

A proposta surpreendeu integrantes do centrão e representantes do setor empresarial, que defendiam um prazo maior para adaptação das mudanças.

A articulação política agora se concentra no Senado Federal. Lideranças partidárias e empresários devem se reunir nesta terça-feira (26) com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em busca de alternativas para ampliar o período de transição ou adiar a tramitação da proposta para depois das eleições.

Pelo texto apresentado na Câmara, a carga horária semanal cairá inicialmente para 42 horas, com vigência prevista para 60 dias após a promulgação da PEC. A redução definitiva para 40 horas aconteceria cerca de 14 meses depois. O fim da escala de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso também entraria em vigor dois meses após a aprovação da proposta.

Nos bastidores, parlamentares afirmam que havia expectativa de um cronograma mais longo, com prazo de até quatro anos para adaptação das empresas. Apesar das críticas ao modelo acelerado, líderes partidários admitem que há pouca margem política para barrar ou modificar o acordo diante da pressão popular e do impacto eleitoral do tema.

O relatório da proposta está sob responsabilidade do deputado Leo Prates (Republicanos). A expectativa é de que o texto seja analisado pela comissão especial ainda nesta semana antes de seguir para votação no plenário da Câmara, onde precisará do apoio mínimo de 308 deputados em dois turnos.

Empresários também intensificaram a articulação no Senado. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, organizou um encontro com representantes do setor produtivo para discutir os possíveis impactos econômicos da redução da jornada de trabalho. O grupo pretende defender um debate mais amplo e distante do período eleitoral.

Aliados de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado ainda avalia qual postura adotará diante da proposta. Enquanto alguns interlocutores dizem que ele considera desacelerar a tramitação, outros apontam que o tema ganhou forte apelo popular, o que pode dificultar qualquer tentativa de barrar o avanço da PEC.

Além da atuação política, empresários estudam lançar campanhas publicitárias alertando sobre possíveis reflexos da medida nos custos das empresas e nos preços ao consumidor.

Caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara, a proposta precisará retornar para nova análise dos deputados antes da promulgação definitiva da emenda constitucional.

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