Terceira via perde força e ex-presidenciáveis miram disputas regionais
- Adilson Silva

- há 16 horas
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Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou em terceiro lugar na corrida presidencial conseguiu, posteriormente, chegar ao Palácio do Planalto. Diante desse histórico, nomes que já tentaram se firmar como alternativa à polarização política passaram a direcionar suas estratégias para eleições estaduais e legislativas.

Para 2026, a tendência se repete. Entre os ex-presidenciáveis, Simone Tebet e Marina Silva devem disputar vagas no Senado por São Paulo. Já Ciro Gomes articula candidatura ao governo do Ceará. No Rio de Janeiro, Heloísa Helena e Anthony Garotinho são cotados para concorrer à Câmara dos Deputados.
O movimento segue um padrão observado em eleições anteriores. Em 1989, Leonel Brizola, após disputar a Presidência, voltou ao cenário estadual e foi eleito governador do Rio de Janeiro. Já Enéas Carneiro, que ganhou destaque nos anos 1990, acabou se elegendo deputado federal com votação expressiva.
Analistas apontam que a dificuldade de consolidação de uma “terceira via” está ligada ao comportamento do eleitorado, que tende a se concentrar nos candidatos mais competitivos. Mesmo em um sistema multipartidário, a polarização costuma prevalecer, especialmente na reta final das campanhas.
Levantamentos recentes de intenção de voto indicam que o cenário para 2026 segue marcado por essa divisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança, enquanto o senador Flávio Bolsonaro surge como principal nome da oposição. Outros pré-candidatos, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, aparecem com índices mais baixos nas pesquisas.
Nos bastidores, houve tentativas recentes de viabilizar uma candidatura alternativa com maior força nacional, incluindo articulações envolvendo governadores e lideranças partidárias. No entanto, essas iniciativas ainda não conseguiram ganhar tração suficiente para romper a polarização predominante.
Enquanto isso, alianças políticas seguem sendo redesenhadas. Simone Tebet, por exemplo, que em 2022 se apresentou como opção de centro, hoje integra o governo e deve disputar o Senado com apoio do grupo político de Lula. Já Marina Silva, com histórico ligado à pauta ambiental, também retorna às urnas após passagem pelo Executivo federal.
Outros nomes apresentam trajetórias mais independentes ou com mudanças de posicionamento ao longo do tempo. Ciro Gomes, por exemplo, volta a focar em disputas regionais após múltiplas tentativas à Presidência. Anthony Garotinho, por sua vez, tenta retomar espaço político após períodos de inelegibilidade e disputas judiciais.
O cenário reforça a dificuldade histórica de consolidação de uma alternativa viável fora dos dois principais polos políticos do país, mantendo o padrão que tem marcado as eleições presidenciais brasileiras nas últimas décadas.







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