Setor de combustíveis considera insuficientes medidas do governo para conter alta do diesel
- Adilson Silva

- há 1 hora
- 2 min de leitura
Representantes do setor de combustíveis e de segmentos do transporte avaliaram como insuficientes as medidas anunciadas pelo governo federal para tentar conter a alta no preço do diesel no país.

A avaliação de executivos do setor é que o desconto de R$ 0,64 por litro — concedido por meio da isenção de PIS/Cofins e de uma subvenção a produtores e importadores — não cobre a diferença atual entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, na abertura do mercado desta quinta-feira (12), o litro do diesel nas refinarias da estatal estava cerca de R$ 1,61 abaixo da paridade de importação.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, afirmou que as ações do governo ajudam parcialmente, mas defendeu a ampliação das discussões com os estados sobre a carga tributária.
Segundo ele, seria necessário incluir os governadores em um debate sobre o ICMS, principal imposto incidente sobre o combustível. Atualmente, o tributo representa cerca de R$ 1,17 por litro do diesel, o equivalente a aproximadamente 19% do preço final pago pelos consumidores.
Landim também afirmou que houve aumento expressivo no valor do diesel em algumas regiões do país, citando elevação superior a 25% nas últimas semanas em áreas do Centro-Oeste. Na avaliação do dirigente, parte desse movimento estaria relacionada à política de preços adotada por distribuidoras e revendedores.
Diferença de preços e impacto nas importações
Enquanto distribuidoras privadas repassam as oscilações do mercado internacional, a Petrobras mantém o preço do diesel sem reajuste há mais de 300 dias. Ainda assim, segundo fontes do setor, parte da alta do produto importado tem sido refletida em leilões realizados pela companhia.
Empresas do segmento alertam que a defasagem entre o valor doméstico e o internacional pode dificultar as importações privadas, o que pode impactar o abastecimento nacional.
Atualmente, o Brasil importa cerca de um quarto de todo o diesel consumido no país. Metade desse volume é trazida pela Petrobras, enquanto o restante é adquirido por empresas privadas.
Dados da empresa de monitoramento de combustíveis Edenred TicketLog apontam que o preço médio do diesel no Brasil subiu 7,7% após o início da guerra que pressionou as cotações do petróleo. As maiores altas foram registradas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.
Para o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, as medidas anunciadas pelo governo são positivas, mas ainda precisam ser avaliadas com mais profundidade para entender como funcionará o mecanismo de subvenção aos importadores.







Comentários