Setor de biodiesel cobra governo federal por estímulo ao diesel importado e defende aumento da mistura
- Adilson Silva

- há 2 dias
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Representantes da indústria de biocombustíveis têm intensificado as críticas ao governo federal nas últimas semanas, apontando contradições na política energética adotada. Segundo entidades do setor, enquanto há incentivo ao diesel fóssil importado, o avanço na mistura obrigatória de biodiesel produzido no país segue travado.

A cobrança parte de duas das principais associações da área, que defendem maior utilização do combustível de origem vegetal como alternativa mais econômica e sustentável. De acordo com os dados apresentados, o biodiesel tem sido comercializado a preços inferiores ao diesel fóssil importado, o que reforça o argumento por sua ampliação na matriz energética.
O debate ganhou força em meio ao cenário internacional de tensão envolvendo o Irã, que levou o governo a adotar medidas para conter possíveis aumentos no preço dos combustíveis. Entre elas, está a concessão de subsídios ao diesel importado, estratégia que, segundo o setor, acaba favorecendo fornecedores estrangeiros em detrimento da produção nacional.
As entidades também questionam o que classificam como falta de equilíbrio nas políticas públicas, destacando que a legislação recente prevê vantagem competitiva para os biocombustíveis. Mesmo assim, afirmam que não houve incentivo semelhante quando o biodiesel apresentou preços mais elevados em relação ao diesel fóssil.
Como alternativa, o setor propõe o cumprimento do cronograma previsto na política energética, com o aumento da mistura obrigatória para 16% (B16). Atualmente, o percentual está em 15%, após adiamento da medida que deveria ter sido implementada no início do ano.
O governo, por sua vez, tem adotado cautela diante da oscilação dos preços das matérias-primas, como a soja, que podem impactar o custo final do biodiesel. Esse fator é apontado como um dos motivos para a resistência em ampliar a participação do combustível vegetal, devido ao risco de pressão inflacionária.
Enquanto isso, medidas como a redução de tributos e a subvenção ao diesel importado foram priorizadas. Para os produtores, no entanto, o fortalecimento da produção interna poderia reduzir a dependência externa e ainda aproveitar a capacidade ociosa das usinas nacionais, estimada em cerca de 40%.
O setor afirma que, com a estrutura já instalada, seria possível ampliar significativamente a produção de biodiesel, contribuindo para diminuir a necessidade de importação de diesel fóssil. Além disso, argumenta que o aumento da mistura teria potencial para equilibrar preços e impulsionar a economia.
Outra pauta defendida é a elevação do percentual de etanol na gasolina, atualmente em 30%. A proposta é avançar para 32%, o que também ajudaria a reduzir a dependência de combustíveis importados.
O governo destaca que vem promovendo avanços graduais na participação dos biocombustíveis nos últimos anos, dentro de programas voltados à descarbonização. No entanto, novas mudanças ainda dependem de estudos técnicos e da aprovação de órgãos responsáveis pela política energética.
Produzido a partir de matérias-primas como soja, palma e outras oleaginosas, o biodiesel é visto como peça-chave na transição energética. Segundo estimativas do setor, cada ponto percentual adicional na mistura pode gerar bilhões em movimentação econômica e ampliar a produção nacional de forma significativa.







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