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Queda na avaliação e disputas internas preocupam aliados de Lula no Nordeste

A região Nordeste, que foi decisiva para a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, passou a representar um novo desafio político para o governo na disputa eleitoral. Pesquisas recentes apontam leve piora na avaliação do governo e aumento da rejeição ao presidente, além de divisões em palanques da base aliada em diversos estados.

Foto: Ricardo Stcukert/Arquivo/PR
Foto: Ricardo Stcukert/Arquivo/PR

Há quatro anos, o petista venceu na região com ampla vantagem sobre Jair Bolsonaro, alcançando cerca de 69,3% dos votos contra 30,7%, diferença que foi determinante para garantir sua vitória nacional.

Apesar de Lula ainda liderar com folga no Nordeste, levantamentos indicam redução na vantagem. Segundo dados do Datafolha, a rejeição ao presidente entre eleitores da região subiu de 27% em março de 2022 para 33% atualmente.

Em um eventual confronto com o senador Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 59% das intenções de voto contra 30%, mantendo liderança, mas com diferença menor do que a registrada na última eleição.

Avaliação do governo também caiu

A percepção sobre a gestão federal também apresentou recuo. Em setembro de 2023, 49% dos eleitores nordestinos classificavam o governo como ótimo ou bom, enquanto 21% o avaliavam como ruim ou péssimo.

Na pesquisa mais recente, os índices passaram para 41% de avaliação positiva e 29% negativa, indicando perda de popularidade ao longo do mandato.

Mesmo assim, aliados do presidente consideram positivo o aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro na região. O percentual de eleitores que afirmam não votar no senador subiu e hoje chega a 52%, segundo o levantamento.

Divisões políticas em estados do Nordeste

Além da popularidade, outro fator que preocupa o Partido dos Trabalhadores é a fragmentação de alianças estaduais.

No Piauí, por exemplo, divergências surgiram entre o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias sobre a composição da chapa estadual e a escolha do vice-governador.

Na Bahia, há disputas internas entre o ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Jaques Wagner, além do rompimento político com o senador Angelo Coronel.

Já no Ceará, a base petista enfrenta incertezas diante da possível candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. O debate também envolve a disputa por vagas ao Senado, com divergências entre o deputado José Guimarães e o ministro da Educação Camilo Santana.

Disputa por palanques

Em outros estados, o desafio está no número elevado de aliados interessados em disputar cargos majoritários, o que pode dificultar a organização da campanha.

Em Pernambuco, por exemplo, o prefeito do Recife João Campos quer apoio exclusivo de Lula em sua campanha, enquanto a governadora Raquel Lyra também busca proximidade com o presidente.

No Maranhão, o governador Carlos Brandão rompeu acordo político ao lançar um parente como candidato, gerando tensão com o PT local.

Situações semelhantes aparecem ainda na Paraíba, onde o vice-governador Lucas Ribeiro e o prefeito Cícero Lucena disputam apoio do presidente.

PT tenta administrar disputas

Para dirigentes petistas, o cenário exige atenção, mas ainda não representa uma ameaça direta à campanha presidencial. O secretário-executivo do partido, Henrique Fontana, afirmou que o excesso de aliados interessados em apoio político é um desafio natural de coalizões amplas.

Segundo ele, apesar das divergências locais, a base governista ainda mantém forte presença política na região que historicamente tem sido um dos principais redutos eleitorais de Lula.

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