PT enfrenta desgaste e vê hegemonia na Bahia ameaçada por ACM Neto
- Adilson Silva

- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Após quase duas décadas de domínio político no estado, o PT começa a ver sua força na Bahia ser colocada à prova. Pesquisas recentes mostram o governador Jerônimo Rodrigues com altos índices de desaprovação — acima de 50%, segundo o Paraná Pesquisas — e atrás do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), na disputa pela reeleição em 2026.

A situação chama atenção pelo peso simbólico: em 2006, Jaques Wagner (PT) derrotou Paulo Souto (PFL) e encerrou o ciclo do carlismo, que havia controlado a política baiana por mais de 30 anos. Desde então, o PT emendou cinco mandatos seguidos no governo estadual, transformando a Bahia em um dos maiores redutos do partido no país — em 2022, Lula obteve 72% dos votos no segundo turno contra Jair Bolsonaro. Agora, o próprio herdeiro do carlismo, ACM Neto, ameaça encerrar a sequência.
Nos bastidores, surgem especulações sobre a possibilidade de Jerônimo abrir mão da disputa para dar lugar a Rui Costa, atual ministro da Casa Civil e ex-governador. O PT nega essa hipótese, afirmando que Jerônimo será o candidato natural à reeleição. Mesmo assim, analistas avaliam que uma troca de nomes não eliminaria as dificuldades.

O cenário eleitoral também envolve disputas pelo Senado. Rui Costa e Jaques Wagner aparecem bem posicionados nas sondagens, mas uma chapa puramente petista poderia deixar de fora o PSD, maior partido da Bahia, com 115 prefeituras, e aliado estratégico do PT. Lideranças como o senador Angelo Coronel (PSD) já sinalizam que não aceitariam perder espaço e poderiam migrar para o campo adversário, fortalecendo ACM Neto.
Atualmente, o ex-prefeito de Salvador reúne mais de 50% das intenções de voto e conta com o apoio de partidos como PP (em federação com o União Brasil), Republicanos, PL e PSDB. A composição com João Roma (PL), que aparece em terceiro nas pesquisas, é vista como possibilidade para garantir ao bolsonarismo uma vaga no Senado.

Para o presidente Lula, a Bahia é prioridade no tabuleiro político de 2026. A perda do estado mais populoso do Nordeste representaria um golpe estratégico, especialmente se vier acompanhada de um rompimento com o PSD, cujo líder nacional, Gilberto Kassab, tem se aproximado de setores da direita. Apesar dos desafios, líderes petistas acreditam em uma virada durante a campanha. O certo é que a disputa promete ser acirrada, em clima de clássico Bahia x Vitória.








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