Presidente do Republicanos critica PEC do fim da jornada 6x1 e defende cautela no debate
- Adilson Silva

- há 1 dia
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O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que alertou o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre os impactos da PEC que propõe o fim da jornada de trabalho 6x1. Segundo ele, o tema é sensível e não deveria avançar em ano eleitoral.

Em entrevista, Pereira disse ter manifestado preocupação com a tramitação da proposta, principalmente pelos possíveis reflexos econômicos. Para o dirigente partidário, a redução da jornada pode comprometer a competitividade das empresas brasileiras e gerar aumento de custos no setor produtivo.
De acordo com o parlamentar, Motta justificou o envio da matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como forma de garantir protagonismo da Câmara diante da possibilidade de o governo federal encaminhar um projeto com pedido de urgência. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria, segundo relato, interesse em discutir o tema.
Pereira avalia que o debate é legítimo, mas considera inadequado o momento político. Ele também demonstrou surpresa com comparações feitas por Motta entre a proposta e marcos históricos como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para o presidente do Republicanos, países que adotaram modelos semelhantes possuem realidade econômica distinta da brasileira, com maior renda per capita e melhores índices sociais.
Ao comentar a reivindicação por mais tempo de lazer, o deputado reconheceu a importância do descanso, mas ponderou que a população de baixa renda enfrenta limitações financeiras que dificultam o acesso a atividades recreativas. Na avaliação dele, é preciso considerar as condições sociais antes de promover mudanças estruturais na legislação trabalhista.
O dirigente também comentou o cenário político nacional. Sobre a movimentação do senador Flávio Bolsonaro em torno de uma possível candidatura presidencial, afirmou que decisões tomadas sem diálogo com outros partidos podem gerar distanciamento. Ainda assim, avaliou que o senador ocupa espaço relevante no campo da direita, especialmente após os desdobramentos judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Questionado sobre eventual apoio em 2026, Pereira disse que o partido só deve iniciar discussões formais após o período da janela partidária. Ele destacou que o Republicanos trabalha para ampliar sua bancada no Congresso e fortalecer sua presença nacional, citando que a legenda conta com lideranças como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Sobre investigações envolvendo instituições financeiras e órgãos públicos, o deputado defendeu que apurações sejam conduzidas pelos órgãos competentes, como Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário, com responsabilização em caso de comprovação de irregularidades.
Marcos Pereira, de 53 anos, é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e está em seu segundo mandato como deputado federal. Já ocupou o cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços durante o governo de Michel Temer.







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