Presidente do BC critica juros do rotativo e defende alternativas mais acessíveis ao crédito
- Adilson Silva

- há 21 horas
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O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito no país são “punitivas” e defendeu a criação de alternativas mais equilibradas para os consumidores.

Segundo ele, grande parte dos brasileiros que recorrem a linhas emergenciais de crédito acaba pagando juros superiores a 100% ao ano, o que evidencia a necessidade de mudanças estruturais no sistema. Galípolo destacou que é preciso desenvolver soluções mais “saudáveis” para quem depende desse tipo de financiamento.
Atualmente, cerca de 101 milhões de pessoas utilizam cartão de crédito no Brasil, modalidade que concentra boa parte do endividamento das famílias. Dados recentes apontam que o comprometimento da renda e a inadimplência voltaram a crescer, aproximando-se de níveis históricos.
A preocupação com o aumento das dívidas também atinge o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já solicitou ao Ministério da Fazenda a elaboração de propostas para reduzir o custo do crédito rotativo.
O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão até a data de vencimento. Considerada a linha de crédito mais cara do mercado, ela deveria ser utilizada apenas em situações emergenciais, segundo especialistas.
Em janeiro, a taxa média anual do rotativo chegou a mais de 400%, mesmo com a regra em vigor desde 2024 que limita o crescimento da dívida ao dobro do valor original — mecanismo conhecido como “muro inglês”.
Apesar disso, Galípolo avalia que ainda é necessário avançar. Para ele, o desafio é equilibrar a redução dos juros com a manutenção do acesso ao crédito, evitando que restrições excessivas impeçam consumidores de obter financiamento quando necessário.
O dirigente também ressaltou que fatores como inflação e crises recentes, incluindo pandemia e conflitos internacionais, têm pressionado o orçamento das famílias, tornando o cenário econômico mais desafiador para a população.







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