Prejuízo dos Correios dispara e atinge R$ 8,5 bilhões em 2025
- Adilson Silva

- há 15 horas
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Resultados foram apresentados durante balanço dos primeiros meses do plano de reestruturação da estatal
Os Correios registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor mais de três vezes superior ao resultado negativo do ano anterior. A piora no desempenho financeiro ocorre em meio à queda na receita da empresa e foi detalhada nesta quinta-feira (23) durante apresentação do plano de reestruturação.

De acordo com o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, os números refletem os desafios enfrentados pela companhia, embora ele tenha relativizado o baixo número de adesões ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), considerado uma das principais medidas para redução de custos.
O plano de reestruturação foi lançado no final de 2025 como condição para a obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto aos principais bancos do país. A União atua como garantidora da operação em caso de inadimplência.
Entre as ações previstas, o PDV teve adesão abaixo do esperado: apenas 3.181 funcionários deixaram a empresa, o que corresponde a cerca de 32% da meta inicial. A expectativa era alcançar aproximadamente 10 mil desligamentos.
Mesmo com a adesão reduzida, os Correios apontam que o programa já gerou economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e deve alcançar R$ 775,7 milhões em 2026. A projeção inicial indicava uma economia maior caso a meta fosse atingida integralmente.
No balanço financeiro, a estatal também informou um patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões. Já a receita bruta totalizou R$ 17,3 bilhões no ano passado, representando uma queda de mais de 11% em relação a 2024, quando o prejuízo havia sido de R$ 2,6 bilhões.
Além do PDV, o plano inclui a venda de imóveis, com potencial de arrecadação estimado em R$ 1,5 bilhão, e a revisão da rede de atendimento. A empresa prevê o fechamento de unidades deficitárias — atualmente, grande parte das agências opera no vermelho. Até o momento, 68 pontos já foram encerrados.
A reestruturação está dividida em três etapas: recuperação financeira, estabilização e crescimento. Na fase inicial, a empresa afirma ter conseguido regularizar ou renegociar a maior parte das dívidas, abrindo caminho para a continuidade do processo.
Já na etapa atual, iniciada em 2026, a estatal também busca reduzir despesas por meio de renegociação com fornecedores, o que já resultou em uma economia de R$ 321 milhões, segundo a direção.
Apesar das medidas, a empresa reconhece dificuldades estruturais, como os altos custos operacionais e o aumento da concorrência no setor de comércio eletrônico, onde grandes empresas vêm investindo em logística própria.
A meta dos Correios é diminuir o prejuízo ao longo de 2026 e retomar o lucro a partir de 2027, apoiando-se nas ações previstas no plano de reestruturação e no reforço financeiro obtido junto às instituições bancárias.







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