PL acumula R$ 134 milhões em caixa para eleições, enquanto PT encerra 2025 sem reserva financeira
As prestações de contas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam estratégias diferentes adotadas pelos principais partidos brasileiros para financiar as eleições de 2026. Enquanto o PL acumulou cerca de R$ 134 milhões em caixa para reforçar as campanhas de seus candidatos, o PT encerrou 2025 com um déficit de aproximadamente R$ 725 mil, sem formar uma reserva financeira específica para a disputa presidencial.

Os recursos dos partidos são compostos pelo fundo partidário, além de contribuições de filiados, doações de pessoas físicas e repasses privados permitidos pela legislação.
Segundo os dados, o PL guardou R$ 102,8 milhões dos recursos recebidos em 2025. A esse montante somam-se R$ 31,4 milhões que retornaram ao caixa da legenda após não serem utilizados pelo instituto de formação política vinculado ao partido, totalizando aproximadamente R$ 134 milhões disponíveis para o período eleitoral.
Esse valor é suficiente para custear integralmente uma campanha presidencial dentro do limite de gastos estabelecido pela Justiça Eleitoral, sem necessidade de utilizar os recursos do fundo eleitoral. Para 2026, o PL deverá receber cerca de R$ 815 milhões desse fundo, o maior valor entre todas as legendas.
A legislação determina que 20% do fundo partidário sejam destinados às fundações ou institutos de pesquisa e formação política mantidos pelos partidos. No entanto, a lei também permite que recursos não utilizados retornem ao caixa da legenda no exercício seguinte, mecanismo utilizado pelo PL para ampliar sua reserva eleitoral.
Além do PL, apenas PCdoB e PSDB devolveram recursos não utilizados por suas fundações ao caixa partidário no último exercício.
Outros partidos também adotaram uma estratégia de economia para fortalecer as campanhas deste ano. O Republicanos poupou cerca de R$ 52 milhões, enquanto o PP reservou aproximadamente R$ 40 milhões, reduzindo despesas administrativas para ampliar os investimentos eleitorais.
Já o PT apresentou uma estratégia diferente. A legenda registrou receitas de R$ 181,3 milhões em 2025 — sendo cerca de R$ 140 milhões provenientes do fundo partidário — e despesas de R$ 182 milhões, encerrando o exercício com resultado negativo.
Apesar disso, o partido afirma que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está garantida. Para as eleições de 2026, o PT deverá receber aproximadamente R$ 615 milhões do fundo eleitoral e estima investir cerca de R$ 126 milhões na campanha presidencial, complementando os recursos com doações de pessoas físicas e contribuições de filiados.
Em nota, a legenda destacou que parte significativa dos recursos foi destinada aos diretórios estaduais e municipais e à Fundação Perseu Abramo, defendendo que mantém uma estrutura partidária consolidada em todo o país e que o financiamento da campanha está assegurado.
Especialistas apontam que a formação de reservas financeiras amplia a capacidade das direções nacionais dos partidos de distribuir recursos entre seus candidatos durante o período eleitoral, fortalecendo campanhas consideradas estratégicas e influenciando a competitividade das legendas nas disputas proporcionais e majoritárias.









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