PF resgata 54 pessoas e prende 78 envolvidos em redes de tráfico humano e contrabando de migrantes
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 2 min de leitura
A atuação do Centro Especializado contra o Contrabando de Migrantes e o Tráfico de Pessoas da Ameripol resultou, em seu primeiro ano de funcionamento, no resgate de 54 vítimas e na prisão de 78 suspeitos envolvidos em crimes transnacionais. As ações contaram com cooperação entre forças policiais das Américas e tiveram o Brasil como base operacional.

Entre as pessoas resgatadas estão mulheres e crianças submetidas à exploração sexual no Haiti e na Espanha, além de vítimas de trabalho escravo ou em condições análogas à escravidão em países europeus e no estado de São Paulo. Segundo as investigações, a maioria foi aliciada com falsas promessas de emprego e melhores condições de vida.
Criado em 2022 e em operação efetiva desde o final do ano passado, o centro é sediado no Brasil e comandado pelo delegado da Polícia Federal Daniel Daher. A proposta da unidade é acelerar investigações e ampliar a eficácia no combate a organizações criminosas especializadas em tráfico de pessoas e imigração ilegal.
No enfrentamento ao contrabando de migrantes, as operações desmantelaram esquemas que levavam pessoas para a União Europeia por meio do uso de passaportes de terceiros e da falsificação de vistos. De acordo com a PF, os Estados Unidos seguem como um dos principais destinos buscados de forma irregular, com criminosos cobrando até US$ 20 mil por pessoa para facilitar a entrada ilegal no país — um mercado que movimenta valores bilionários.
As rotas utilizadas incluem travessias extremamente perigosas, como a passagem pela Floresta de Darién, na fronteira entre Panamá e Colômbia. A região é considerada uma das mais hostis do mundo e representa riscos graves à vida dos migrantes.
Segundo Daniel Daher, os migrantes ficam expostos a ataques de animais, doenças tropicais, violência física, abusos de coiotes e exploração por organizações criminosas. “É um cenário que oferece riscos extremos à integridade física e psicológica dessas pessoas”, afirmou.
Dados da agência de controle de fronteiras dos Estados Unidos, analisados pela Polícia Federal, indicam que em 2024 cerca de 22.990 brasileiros foram detidos ao tentar ingressar ilegalmente no país. O aumento do fluxo migratório irregular também se reflete no número de deportações. Até outubro deste ano, 2.262 brasileiros haviam sido retirados do território americano, o maior volume desde pelo menos 2020.
No início de dezembro, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou um vídeo direcionado a imigrantes em situação irregular, incentivando o uso de um aplicativo oficial para retorno voluntário ao país de origem. A iniciativa foi apresentada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) como parte das políticas migratórias do governo Donald Trump.
O delegado ressalta que, nesses casos, o foco das investigações é quem lucra com a imigração ilegal, e não o migrante. “O crime está na exploração. O migrante não deve ser tratado como criminoso, mas sim extraditado quando necessário”, explicou.
A legislação brasileira enquadra como tráfico de pessoas crimes relacionados à exploração sexual, trabalho escravo, remoção de órgãos e adoção ilegal. As penas previstas variam de quatro a oito anos de prisão, além de multa, podendo ser agravadas quando envolvem crianças ou adolescentes.







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