PF não encontra provas de que jornalista recebeu R$ 100 mil para atacar Flávio Dino
- Vitória Assis

- há 2 dias
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Um relatório da Polícia Federal encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que não foi possível comprovar, com os elementos analisados até então, que um pagamento de R$ 100 mil recebido pelo jornalista Luís Pablo Conceição Almeida tivesse como finalidade financiar reportagens contra o ministro Flávio Dino.

A conclusão consta de uma análise feita pela PF a partir de dados encontrados no celular do jornalista, apreendido em março por determinação de Moraes. O documento, produzido em maio, indica que seriam necessárias novas avaliações do material para esclarecer a origem e a finalidade do pagamento.
Segundo o relatório, os elementos examinados até aquele momento apontavam apenas para uma tendência política por parte do jornalista, sem permitir estabelecer uma ligação direta entre o valor recebido e a publicação de reportagens.
Investigação sobre pagamento
Em uma análise posterior, realizada em julho, a Polícia Federal apontou que os R$ 100 mil foram transferidos por um informante de Luís Pablo a uma terceira pessoa e utilizados para quitar parte da compra de um imóvel pertencente ao jornalista.
O delegado responsável pela investigação, Antonio Knoll, considerou que a operação financeira levantava dúvidas sobre a natureza da relação entre o jornalista e suas fontes. Por isso, solicitou novas diligências para investigar se poderia existir algum tipo de pagamento relacionado à publicação de matérias contra Dino.
Apesar disso, o delegado afirmou que não havia elementos para atribuir ao jornalista o crime de violação de sigilo funcional em razão das informações publicadas.
Segundo Knoll, eventual irregularidade poderia estar relacionada à conduta de agentes públicos que tivessem acesso a informações restritas e as repassassem de maneira indevida para divulgação.
Buscas autorizadas pelo STF
Com autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR), Alexandre de Moraes determinou buscas e apreensões realizadas no dia 11 de agosto.
Entre os alvos estava Raimundo Cutrim, que ocupava o cargo de secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, durante a gestão do governador Carlos Brandão (MDB). Cutrim é apontado pela investigação como uma das fontes de informações utilizadas pelo jornalista.
Outro alvo foi o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário de Urbanismo e Habitação de São Luís e também apontado como informante de Luís Pablo. Segundo a apuração, Lima teria feito a transferência de R$ 100 mil para a quitação do imóvel adquirido pelo jornalista.
A PF apreendeu equipamentos eletrônicos, documentos e mídias, além de buscar dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos relacionados aos investigados.
Jornalista nega ligação entre pagamento e reportagens
Luís Pablo afirmou que o pagamento não teve qualquer relação com os textos publicados sobre Flávio Dino. Segundo ele, o valor correspondeu a um empréstimo feito pelo advogado Diogo Diniz Lima, de quem afirma ser amigo pessoal.
O jornalista também negou ter recebido dinheiro para produzir ou publicar reportagens contra o ministro.
As investigações tiveram entre seus pontos de partida textos publicados por Luís Pablo sobre o suposto uso de veículos vinculados ao Tribunal de Justiça do Maranhão e ao governo estadual por Dino.
Tanto Flávio Dino quanto o TJ-MA negaram irregularidades. Segundo as explicações apresentadas, veículos destinados à segurança podem ser utilizados por integrantes do STF em cooperação com tribunais, seguindo normas do próprio Supremo e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A Polícia Federal apontou ainda que Raimundo Cutrim teria obtido informações sobre o assunto em sistemas de acesso restrito e posteriormente repassado os dados utilizados na produção das reportagens.
Entidades jornalísticas demonstram preocupação
A operação envolvendo as fontes do jornalista provocou manifestações de entidades ligadas à imprensa. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) expressaram preocupação com as medidas determinadas pelo STF e com possíveis impactos sobre a liberdade de imprensa.
Luís Pablo mantém um blog jornalístico desde 2011, apresentado como um veículo independente voltado à cobertura política do Maranhão.
A investigação continua, e os elementos apreendidos nas buscas deverão ser analisados pela Polícia Federal para verificar se existem evidências que esclareçam a relação entre o pagamento de R$ 100 mil, as fontes do jornalista e as reportagens questionadas.









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