PF indicia ex-presidente do INSS, "Careca do INSS" e outras 46 pessoas em investigação sobre descontos ilegais
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas suspeitas de participação em um esquema de descontos irregulares aplicados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação tem como foco a atuação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

O relatório final foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pela condução do caso na Corte, na última sexta-feira (10).
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, considerado foragido, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
De acordo com a investigação, Stefanutto foi indiciado por suposta participação em organização criminosa, além de responder por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Já Carlos Roberto Ferreira Lopes é acusado de integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro em circunstâncias agravadas e corrupção ativa.
As apurações da Polícia Federal apontam que a Conafer foi uma das entidades que mais receberam recursos provenientes de descontos efetuados diretamente nos benefícios previdenciários. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que a entidade arrecadou aproximadamente R$ 484 milhões por meio desses descontos entre 2019 e 2024.
Segundo o levantamento, dos R$ 397,3 milhões classificados como créditos considerados atípicos no período analisado, cerca de R$ 376,5 milhões tiveram origem no Fundo do Regime Geral de Previdência Social, responsável pelo pagamento de aposentadorias e demais benefícios administrados pelo INSS.
A conclusão deste primeiro inquérito representa mais uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de descontos não autorizados em benefícios previdenciários e a possível participação de servidores públicos, dirigentes de entidades e intermediários nas irregularidades.









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