PF atribui a Valdemar Costa Neto volume de emendas superior ao destinado por quase todos os deputados em 2024
- Adilson Silva

- 11 de jul.
- 2 min de leitura
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é apontado pela Polícia Federal como responsável pelo direcionamento de R$ 111,8 milhões em emendas parlamentares de comissão durante 2024, apesar de não exercer mandato eletivo. O montante, segundo levantamento baseado em registros da Câmara dos Deputados, supera os valores destinados por 512 dos 513 deputados federais no mesmo período.

De acordo com a investigação, apenas o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), registrou volume superior de emendas de comissão no ano passado, com aproximadamente R$ 255,3 milhões. O valor atribuído a Valdemar também ultrapassa os recursos destinados pelo então líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
O caso faz parte da apuração conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares. Com base no relatório da investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou uma operação e determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto.
Segundo a PF, o dirigente partidário teria exercido autonomia para indicar recursos provenientes das emendas de comissão, utilizando sua posição de presidente do partido para direcionar verbas públicas. A corporação afirma que parte dessas indicações teria sido formalizada por parlamentares do PL e pela liderança da legenda na Câmara.
A defesa de Valdemar contesta as acusações. Em nota assinada pelos advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, o presidente do PL afirma que não praticou qualquer ilegalidade e sustenta que o diálogo entre dirigentes partidários e parlamentares faz parte da atividade política legítima. Os advogados também argumentam que a investigação não apresenta provas de desvio de recursos públicos, fraude ou apropriação indevida de verbas.
Entre os parlamentares citados pela investigação estão os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA). Ambos afirmam que apenas formalizaram indicações de emendas de comissão dentro dos procedimentos previstos na legislação e negam que Valdemar tenha atuado como autor oculto dos recursos.
Conforme o relatório policial, em 2025 o volume de emendas atribuído a Valdemar caiu para R$ 7,4 milhões. A investigação não detalha os motivos da redução.
Dos R$ 111,8 milhões atribuídos ao dirigente do PL em 2024, cerca de R$ 97,4 milhões teriam sido destinados a municípios dos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Parte dos recursos acabou bloqueada por decisão judicial durante o andamento das investigações.
O caso também reacendeu o debate sobre a transparência das emendas de comissão, modalidade criada após a extinção das emendas de relator. Apesar das mudanças determinadas pelo STF para identificar os responsáveis pelas indicações, registros da Câmara ainda mostram diversas emendas atribuídas apenas às lideranças partidárias, sem identificação nominal do parlamentar responsável pela destinação dos recursos.








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