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Petróleo atinge maior nível em 14 meses após tensão no Oriente Médio; Brasil é visto como mais resiliente

As cotações internacionais do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira (3), impulsionadas pelo anúncio de fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã. O barril do tipo Brent, referência global negociada em Londres, voltou a ultrapassar os US$ 80 pela primeira vez desde janeiro de 2025.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil/Arquivo

Durante o pregão, o Brent chegou a disparar 9%, atingindo US$ 85,12 — maior valor desde julho de 2024 — antes de desacelerar e encerrar o dia com alta de 4,7%, cotado a US$ 81,40. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou 4,7%, fechando a US$ 74,56 por barril. Desde a intensificação do conflito no Oriente Médio no fim de semana, a valorização acumulada já soma 13%.

A escalada perdeu parte da força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que operações militares teriam reduzido significativamente a capacidade iraniana, o que alimentou expectativas de uma resolução mais rápida da crise.

Analistas internacionais ponderam que ainda é cedo para estimar a dimensão do impacto no mercado, mas indicam que estoques estratégicos robustos em países da OCDE e na China tendem a limitar movimentos mais extremos no curto prazo. Projeções de consultorias apontam o Brent na faixa de US$ 80 em março e possível recuo para a casa dos US$ 70 nos meses seguintes, a depender da evolução do conflito.

No Brasil, especialistas avaliam que o país está mais preparado para enfrentar choques externos do que em crises anteriores. Atualmente, o Brasil exporta mais da metade do petróleo que produz, o que ajuda a compensar eventuais pressões inflacionárias decorrentes da alta internacional.

Segundo o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, o petróleo elevado tem efeitos ambíguos na economia brasileira. Por um lado, amplia a entrada de dólares e pode reforçar a arrecadação; por outro, pressiona os preços dos combustíveis, especialmente em ano eleitoral.

A Petrobras afirma adotar política que evita repasses imediatos de volatilidades pontuais, promovendo reajustes apenas quando entende que um novo patamar de preços se consolida. No entanto, o diesel já apresenta defasagem relevante em relação à paridade de importação, o que pode aumentar a pressão por reajustes caso o Brent se mantenha acima dos US$ 80.

O mercado internacional tem reagido com mais intensidade no segmento de diesel do que no de gasolina. Nos Estados Unidos, contratos futuros de diesel subiram cerca de 10%, enquanto os de gasolina avançaram 4%.

Apesar da turbulência, analistas reforçam que o cenário ainda depende da evolução do conflito no Oriente Médio e da duração de eventuais restrições logísticas na região.

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