Petrobras adia previsão para concluir perfuração de poço na Foz do Amazonas
A Petrobras voltou a adiar a previsão para concluir a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. Em documento encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, a companhia informou que a conclusão dos trabalhos está prevista, no cenário mais otimista, para o fim de agosto.

O novo cronograma substitui a estimativa anterior, apresentada em junho ao órgão ambiental, que previa o encerramento da perfuração do chamado bloco 59 até o dia 7 de agosto. Segundo a estatal, o Ibama continuará sendo informado sobre eventuais alterações no andamento da operação.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa tem conduzido a atividade com cautela por se tratar de um poço pioneiro em uma região onde ainda não existe produção de petróleo. De acordo com ela, as características da área exigem uma operação mais cuidadosa.
As condições naturais da Foz do Amazonas, especialmente as fortes correntes marítimas, continuam sendo um dos principais desafios da perfuração. O próprio Ibama apontou esse fator como um dos riscos do projeto durante o processo de licenciamento ambiental. Em janeiro deste ano, um vazamento de fluido durante a operação interrompeu temporariamente os trabalhos e resultou em uma multa de R$ 2,5 milhões aplicada pelo órgão ambiental. As atividades foram retomadas no mês seguinte.
A perfuração do poço Morpho teve início em outubro de 2025, após a concessão da licença ambiental pelo Ibama. O empreendimento foi autorizado em meio a debates sobre os impactos ambientais da exploração na região e após manifestações favoráveis do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de lideranças políticas do Amapá.
A área onde ocorre a exploração é considerada de alta sensibilidade ambiental. A costa próxima a Oiapoque reúne extensos manguezais, ecossistemas de grande biodiversidade e comunidades tradicionais, incluindo cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias, cuja subsistência depende da preservação ambiental e dos recursos naturais da região.
O Ibama também determinou que a Petrobras amplie sua estrutura de resposta a eventuais acidentes ambientais antes da perfuração de novos poços contingentes. Entre as exigências está a disponibilização de uma embarcação adicional para atuação próxima à costa, destinada ao resgate e proteção da fauna em caso de vazamento de óleo.
Segundo a Petrobras, embarcações de monitoramento já permanecem de prontidão na região de Oiapoque, incluindo áreas próximas ao Parque Nacional do Cabo Orange, importante área de preservação ambiental que abriga manguezais e serve como berçário natural para diversas espécies marinhas, além de sustentar a atividade pesqueira local.
A empresa informou, no entanto, que a nova embarcação solicitada pelo Ibama deverá levar aproximadamente 150 dias para entrar em operação, prazo superior ao previsto para a conclusão da perfuração do poço exploratório.









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