Partido dos Trabalhadores mira Roberto Campos Neto para associar caso Master ao governo Jair Bolsonaro
- Adilson Silva

- há 2 horas
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Com a nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, integrantes do PT passaram a concentrar críticas no ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, buscando vincular o escândalo financeiro ao governo Jair Bolsonaro e desgastar o campo bolsonarista.

Campos Neto é visto como referência econômica entre aliados do ex-presidente e frequentemente citado como possível nome para integrar um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Atualmente, ele ocupa o cargo de vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank, além de atuar como colunista da Folha de S.Paulo.
Foi durante sua gestão à frente do Banco Central que o Banco Master foi criado e expandiu operações que hoje estão sob investigação. Campos Neto tem afirmado que a autoridade monetária adotou providências e alertou a instituição financeira para adequações às normas regulatórias.
Servidores do BC na mira
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que integrou a diretoria da autarquia entre 2019 e 2023. Ao autorizar as medidas, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver indícios de que ele teria atuado como uma espécie de consultor informal de Vorcaro.
Segundo a decisão, Souza teria intermediado tratativas envolvendo operações societárias e financeiras ligadas ao grupo. Outro servidor do BC citado na investigação é Belline Santana, suspeito de colaborar com o empresário dentro da instituição. Ambos foram afastados das funções e deverão usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
Reações políticas
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, utilizou as redes sociais para questionar a atuação de Campos Neto e cobrar explicações sobre eventual omissão na fiscalização do banco. Ela também criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que utilizou aeronave de empresa ligada a Vorcaro durante a campanha de 2022.
Nikolas afirma que não possui relação com o empresário e que a aeronave foi contratada por meio de empresa de táxi aéreo, sem conhecimento de irregularidades à época.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou notícia-crime junto à Procuradoria-Geral da República pedindo investigação sobre eventual omissão dolosa de Campos Neto na fiscalização bancária.
Caso atinge diferentes campos políticos
O escândalo envolvendo o Banco Master tem provocado repercussão tanto entre aliados da direita quanto da esquerda. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro, é apontado como um dos políticos próximos de Vorcaro.
No campo governista, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega já prestou consultoria ao banco. Também houve relatos de que o presidente Lula foi informado sobre vínculos entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e um sócio do grupo, embora interlocutores tenham avaliado não haver risco de envolvimento no esquema.
Com a investigação em andamento, o caso segue gerando embates políticos e ampliando a disputa narrativa entre governo e oposição.







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