Otto Alencar reconhece cenário político sensível na montagem da chapa de Jerônimo Rodrigues
- Adilson Silva

- há 2 dias
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O senador Otto Alencar (PSD) admitiu publicamente, pela primeira vez, que atravessa um momento de cautela política à frente do partido em meio às discussões sobre a composição da chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em conversa com o site Política Livre, durante a solenidade de posse da nova Mesa Diretora do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o dirigente do PSD afirmou estar em uma situação “delicada”, diante da necessidade de preservar os interesses da legenda sem comprometer a aliança consolidada com o PT na Bahia.

Ao abordar as especulações que envolvem os nomes de Rui Costa, Jaques Wagner e do senador Angelo Coronel, também do PSD, Otto explicou que ainda não iniciou tratativas diretas sobre o assunto. Segundo ele, o debate ocorrerá no momento adequado. “Ainda não conversei com nenhum deles. Estava em recesso, viajando. A convenção é apenas em julho, então há tempo para que as coisas amadureçam”, pontuou.
Para o senador, a definição da chapa não deve ser conduzida de forma isolada por um único partido. Ele defendeu a escuta de toda a base aliada. “Não é só o PSD que precisa ser ouvido. Os demais partidos que compõem a aliança também devem participar desse diálogo”, afirmou, citando legendas como PT, PCdoB, PSB e outras que sustentam o governo estadual.
Otto também fez questão de reafirmar sua fidelidade ao projeto político liderado pelo PT na Bahia e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lembrou sua atuação como aliado histórico e destacou ter se posicionado contra os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Sempre estive alinhado a esse projeto e nunca flertei com o bolsonarismo”, ressaltou.
Segundo ele, não há possibilidade de adotar uma posição contrária ao campo político ao qual pertence há anos. “Não teria como subir em um palanque adversário ao projeto do Lula. Isso iria contra toda a minha trajetória de mais de 15 anos ao lado de Wagner, Rui, Jerônimo e Lula”, afirmou.
Apesar da defesa da aliança, o senador destacou que também precisa resguardar o espaço do PSD na chapa, incluindo a eventual recondução de Angelo Coronel ao Senado. “Se outros cargos admitem reeleição, os senadores também têm esse direito”, observou, ressaltando que qualquer definição dependerá de negociação política.
Foi nesse contexto que Otto reconheceu o impasse que enfrenta. “Minha situação é realmente delicada”, disse. Médico de formação, ele recorreu a uma comparação para ilustrar o momento: “Na medicina, só se opera com diagnóstico. Na política, agora, estou sem diagnóstico. E sem diagnóstico, não há como indicar o tratamento”.







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