Movimento de Caiado no PSD redesenha o tabuleiro político da Bahia e muda forças para 2026
- Adilson Silva

- há 1 hora
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A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD tem potencial para provocar efeitos profundos no cenário político baiano e alterar o equilíbrio de forças para as eleições de 2026.

A mudança fortalece o senador Angelo Coronel dentro do partido, reduz a influência de Otto Alencar no comando estadual da sigla e amplia o espaço político do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, enquanto coloca o PT em posição defensiva no estado.
Com Caiado despontando como possível nome do PSD na corrida presidencial — em disputa interna com Eduardo Leite e Ratinho Júnior —, o partido passa a adotar uma postura mais flexível nos estados. Na Bahia, isso pode significar a manutenção do apoio pessoal de Otto Alencar ao presidente Lula, mas sem impedir que Angelo Coronel dispute a reeleição ao Senado, agora com respaldo da direção nacional.
Nesse novo arranjo, cresce a possibilidade de Coronel integrar uma aliança com a oposição estadual, especialmente com ACM Neto, que já havia sinalizado apoio a Caiado quando o goiano ainda integrava o União Brasil. O fortalecimento de Coronel altera o jogo interno do PSD e enfraquece a posição de Otto como principal fiador do alinhamento da legenda ao PT no estado.
Aliados de Neto avaliam que o apoio do grupo ao candidato presidencial do PSD poderá ser condicionado à formação de uma coligação estadual que inclua Coronel na chapa ao Senado. A lógica é simples: garantir unidade no plano nacional e, ao mesmo tempo, ampliar competitividade na disputa baiana.
No campo presidencial, a entrada de Caiado no PSD também aponta para um cenário fragmentado entre os opositores de Lula, com ao menos três candidaturas viáveis: a do próprio PSD, a do Novo — com Romeu Zema — e a do PL, que pode lançar Flávio Bolsonaro. Esse quadro tende a favorecer Neto na Bahia, ao ampliar os palanques e diluir a força do presidente no estado.
Segundo avaliações de aliados do ex-prefeito, diferentemente de 2022, Lula teria dificuldade para repetir o desempenho que impulsionou Jerônimo Rodrigues ao governo. Naquela eleição, Neto chegou a captar uma parcela significativa do eleitorado lulista, algo que pode voltar a ocorrer em um ambiente mais competitivo e com múltiplas candidaturas nacionais.
Internamente, Otto Alencar tenta minimizar os impactos da movimentação, afirmando manter o controle do PSD na Bahia. Ainda assim, o fortalecimento de Coronel e o histórico recente de intervenções da direção nacional do partido em outros estados colocam essa liderança sob questionamento.
Antes mesmo da chegada de Caiado, aliados de Coronel já desenhavam um cenário de saída do senador do PSD rumo à oposição, com destino provável ao União Brasil. A mudança no xadrez nacional, porém, reverteu esse caminho e reposicionou Coronel como peça central dentro da legenda.
Enquanto isso, partidos como o Republicanos acompanham com apreensão a formação da chapa de ACM Neto. A legenda teme novamente ficar à margem das decisões, após experiências frustradas na eleição passada, quando teve participação considerada secundária.
O ambiente de tensão também se estende ao campo bolsonarista, onde surgem sinais de desgaste entre lideranças locais e o grupo de Neto. Reclamações sobre acordos não cumpridos e falta de espaço político em administrações municipais têm alimentado divergências que podem impactar alianças em 2026.
Nos bastidores do governo baiano, auxiliares avaliam pesquisas que indicam que uma eventual saída definitiva de Coronel da base governista pode afetar diretamente nomes como Jaques Wagner e Rui Costa na disputa pelo Senado. Coronel aparece bem posicionado entre eleitores de centro e direita, o que amplia seu poder de influência no resultado final.
Com esse conjunto de fatores, a política baiana entra em uma fase de reorganização antecipada, marcada por negociações complexas, realinhamentos partidários e um cenário cada vez mais imprevisível para a sucessão estadual e a disputa presidencial.







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