Após saída de Coronel, ACM Neto avalia que PT sofre maior abalo político na Bahia
- Adilson Silva

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O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), comentou nesta segunda-feira (2) o rompimento do senador Angelo Coronel com o PSD e, consequentemente, com a base do Partido dos Trabalhadores no estado.

Para Neto, a exclusão do parlamentar da chapa governista representa um dos movimentos políticos mais impactantes do atual cenário pré-eleitoral.
A chapa articulada pelo PT para 2026 deve ser formada exclusivamente por petistas — o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa — o que acabou inviabilizando a permanência de Coronel no grupo.
Durante entrevista concedida na Festa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, Neto afirmou que o afastamento do senador do campo governista abre espaço para o início de conversas com a oposição. Segundo ele, o diálogo ainda está em fase inicial, mas a intenção é avançar.
“Agora existem condições políticas para começar essa conversa. É um primeiro passo, não um desfecho. Nosso objetivo é construir um entendimento para que ele esteja ao nosso lado”, declarou.
O pré-candidato destacou que a saída formal de Coronel do campo governista era uma condição necessária para qualquer aproximação. Ele afirmou que pretende conduzir o processo com cautela e sem atropelos, mantendo o cronograma já definido para a formação da chapa, cujo anúncio deve ocorrer até março.
Neto avaliou que a perda de Coronel pode causar prejuízo eleitoral ao PT. Na visão dele, o senador possui forte capilaridade política no interior do estado, especialmente entre prefeitos e lideranças regionais.
“O PT passou todo o ano passado tentando atrair quadros da nossa base. De repente, sofre um revés dessa dimensão, com a perda de um senador da República com enorme base política. É, sem dúvida, o movimento mais significativo deste período pré-eleitoral”, afirmou.
Apesar disso, o ex-prefeito ponderou que a transição de Coronel para a oposição precisa ser feita com cuidado, considerando os vínculos políticos que o senador ainda mantém com aliados do governo estadual.
“A ideia é conduzir tudo com diálogo e tranquilidade, para que ele tenha condições reais de disputar a reeleição e para que nós também possamos construir um projeto competitivo para vencer o governo”, explicou.
Caiado no PSD
Neto também comentou a mudança partidária do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil e se filiou ao PSD. Segundo ele, a decisão foi tomada de forma consensual, após conversas entre ambos.
“Ele me explicou que essa seria a melhor alternativa para viabilizar o projeto presidencial dele. Eu concordei. Foi uma decisão amadurecida e em comum acordo”, disse.
O pré-candidato reforçou que a escolha de Caiado não altera a relação política entre os dois e afirmou que torce para que o governador goiano seja o nome do PSD na disputa presidencial.
Chapa majoritária e Zé Ronaldo
Sobre a composição da chapa da oposição na Bahia, ACM Neto afirmou que algumas definições já estão encaminhadas. Segundo ele, seu nome para o governo e o de João Roma para o Senado já estão consolidados, contemplando União Brasil e PL. O próximo passo será discutir a participação do PP.
Questionado sobre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, Neto garantiu que há alinhamento político, mas evitou confirmar eventual participação dele na chapa.
“Feira de Santana tem peso eleitoral para ocupar espaço na majoritária, mas sair da prefeitura envolve muitas variáveis. A prioridade agora é definir o perfil da vice, que deve ser alguém com forte inserção no interior e capacidade de articulação”, afirmou.
Por fim, Neto reiterou que o foco imediato é avançar no entendimento com Angelo Coronel. “Se essa aliança se consolidar, depois passamos a tratar da vice. Tenho até o fim de março para fechar essas definições”, concluiu.







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