Mortes após terremotos na Venezuela chegam a 2.295; número de feridos supera 11 mil
O balanço oficial divulgado pelo regime venezuelano nesta quarta-feira (1º) aponta que os dois terremotos que atingiram a Venezuela na última semana já deixaram 2.295 mortos. Além disso, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas, enquanto 12.841 permanecem desalojadas em consequência da tragédia.

Os dados foram apresentados por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e uma das principais lideranças do chavismo, responsável pela divulgação dos boletins oficiais sobre os impactos do desastre.
Em relação ao levantamento anterior, divulgado na terça-feira (30), houve um aumento de 352 mortes confirmadas. Na ocasião, as autoridades haviam registrado 1.943 vítimas fatais e 10.571 feridos.
Apesar dos números oficiais, a expectativa é de que o total de vítimas continue crescendo. As Nações Unidas estimam que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas, enquanto equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros em diversas regiões afetadas. Diante da dimensão da tragédia, a ONU informou que providenciou a compra de 10 mil sacos destinados ao armazenamento de corpos.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em um intervalo de poucos segundos na quarta-feira da semana passada. Desde então, mais de 600 réplicas foram registradas. Embora esses novos tremores mantenham a população em estado de alerta, eles não provocaram danos significativos adicionais.
A região mais atingida foi o estado de La Guaira, nas proximidades de Caracas, onde permanecem concentradas as operações de busca por sobreviventes e a retirada de vítimas.
Enquanto o governo afirma que mantém ações de assistência e recuperação nas áreas afetadas, parte da população critica a lentidão da resposta oficial. A organização humanitária International Rescue Committee (IRC) avaliou que o apoio prestado até o momento não acompanha a dimensão das necessidades enfrentadas pelos moradores atingidos.
Em publicação na rede social X, a líder interina Delcy Rodríguez afirmou que acompanha de perto os trabalhos de assistência e manifestou solidariedade às vítimas. Ela declarou compartilhar a dor da população e classificou os terremotos como uma tragédia que abalou profundamente o país. Nesta quarta-feira, também decretou sete dias de luto nacional em homenagem aos mortos.
Diante da gravidade da situação, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) solicitou US$ 50 milhões, o equivalente a cerca de R$ 259 milhões, para atender aproximadamente 500 mil pessoas ao longo dos próximos três meses.
A catástrofe agravou uma crise humanitária que já afetava a Venezuela. Antes dos terremotos, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de algum tipo de assistência. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) também alertou que o acesso limitado à ajuda tem ampliado as dificuldades enfrentadas pela população.
Organizações internacionais ainda demonstram preocupação com a possibilidade de surtos de doenças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o sistema de saúde venezuelano opera sob forte pressão e advertiu para o risco de propagação de enfermidades infecciosas que poderiam ser prevenidas por vacinação.
A comunidade internacional também reforçou os esforços de resgate. Segundo a ONU, 27 países enviaram cerca de 40 equipes especializadas em busca e salvamento, mobilizando mais de 2 mil profissionais e aproximadamente 160 cães treinados para localizar sobreviventes.
Além das perdas humanas, os danos materiais são expressivos. Estimativas da Nasa indicam que quase 59 mil edificações foram destruídas ou sofreram danos. Já a ONU calcula que os prejuízos econômicos alcancem cerca de US$ 6,7 bilhões (aproximadamente R$ 34,8 bilhões), valor equivalente a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.
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