Michelle Bolsonaro deve ficar fora da campanha de Flávio, e aliados veem reconciliação distante
- Adilson Silva

- há 6 minutos
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Interlocutores do PL avaliam que impasse familiar deve persistir durante o período eleitoral, apesar de esforços do partido para reaproximar ex-primeira-dama e senador
A crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua sem perspectiva de solução e já provoca impactos na estratégia eleitoral do Partido Liberal. Integrantes da legenda e pessoas próximas à família avaliam que a ex-primeira-dama deve permanecer afastada da pré-campanha presidencial do enteado.

Segundo relatos de aliados, Michelle reafirmou sua posição durante uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, realizada na última terça-feira (30). No encontro, ela também comunicou sua saída da presidência do PL Mulher e informou que ainda avalia a possibilidade de desistir da disputa por uma vaga no Senado.
De acordo com pessoas presentes na reunião, Valdemar sugeriu que Michelle justificasse o vídeo em que afirma ter sido humilhada por Flávio alegando estar emocionalmente abalada. A ex-primeira-dama, porém, rejeitou a proposta, afirmando que refletiu antes da gravação e que mantém o conteúdo das declarações.
Nos bastidores, aliados da família Bolsonaro consideram pouco provável que haja uma reconciliação antes das eleições. A expectativa é de que Michelle permaneça em silêncio durante a campanha, dedicando-se aos cuidados da filha e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O próprio Valdemar Costa Neto reconheceu que a situação preocupa o partido. Segundo ele, Michelle é considerada uma peça importante para a campanha e o PL continuará tentando reconstruir o diálogo.
Pessoas próximas a Flávio afirmam que o senador permanece disposto a retomar a relação e tem buscado contato com a madrasta desde o início do ano. A orientação dentro da pré-campanha é evitar novos desgastes públicos e manter um discurso de reconhecimento ao trabalho desempenhado por Michelle junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Já aliados da ex-primeira-dama afirmam que ela não pretende atuar contra Flávio nem apoiar adversários, mas também não participará ativamente da campanha. Eles alegam que o senador não teria adotado medidas para conter ataques e notícias falsas direcionadas a Michelle nas redes sociais, fator que ampliou o distanciamento entre os dois.
Outro elemento apontado como motivo de insatisfação é a composição das chapas estaduais do PL, nas quais Michelle teria perdido espaço político, apesar de lideranças da legenda afirmarem publicamente que ela teria papel estratégico na campanha presidencial.
Apesar do impasse, lideranças próximas à ex-primeira-dama, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), seguem defendendo que Michelle permaneça na disputa por uma vaga no Senado. O argumento é de que sua candidatura fortaleceria a representação feminina na política e daria visibilidade a pautas que ela costuma defender, como políticas voltadas às mães atípicas.
Embora parte dos integrantes do PL minimize os efeitos eleitorais do afastamento, Michelle continua sendo vista como um importante ativo político, especialmente entre mulheres e eleitores evangélicos. Pesquisas recentes indicam que esse segmento ainda representa um dos principais desafios para a candidatura de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.








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