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Marina Silva critica tentativa de partidos de flexibilizar cotas eleitorais para mulheres e negros

Pré-candidata ao Senado por São Paulo afirma que regras buscam corrigir desigualdades históricas e rejeita articulações para reduzir a participação de minorias

A ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), criticou a articulação de partidos políticos para flexibilizar as regras de distribuição do fundo eleitoral destinadas às candidaturas de mulheres e pessoas negras. Em entrevista, ela classificou a iniciativa como um retrocesso e afirmou que as cotas representam um mecanismo essencial para ampliar a representatividade na política.

Segundo Marina, os percentuais mínimos estabelecidos pela Justiça Eleitoral não configuram privilégios, mas instrumentos para combater desigualdades históricas que ainda limitam o acesso de grupos sub-representados aos espaços de poder.

A ex-ministra também avaliou como preocupante o fato de legendas de diferentes correntes ideológicas estarem unidas em torno da proposta. Entre os partidos citados nas discussões está o PT, legenda que integrará a mesma aliança eleitoral da Rede em São Paulo nas eleições deste ano.

Para Marina, enfraquecer as cotas significa manter a concentração de recursos e oportunidades nas mãos dos mesmos grupos políticos, dificultando a renovação e a diversidade da representação parlamentar.

Campanha ao Senado e pauta ambiental

Durante a entrevista, Marina reafirmou que sua candidatura ao Senado tem como objetivo fortalecer a chapa de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. A aliança reúne ainda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, Simone Tebet (PSB), também candidata ao Senado, e Márcio França (PSB), que disputará a vice-governadoria.

A deputada federal ressaltou que a pauta ambiental continuará sendo o eixo central de sua campanha. Segundo ela, desenvolvimento econômico e preservação ambiental caminham juntos, sendo fundamentais para temas como segurança alimentar, geração de empregos, agricultura e enfrentamento das mudanças climáticas.

Marina também defendeu investimentos em energias renováveis, na produção de hidrogênio verde, baterias e veículos elétricos, além de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana e ao combate aos impactos das mudanças climáticas.

Congresso, emendas e cenário político

Ao comentar o funcionamento do Congresso Nacional, Marina demonstrou preocupação com o crescimento das emendas parlamentares, afirmando que o Executivo perdeu parte da capacidade de executar o orçamento conforme prevê a Constituição.

Ela também criticou a falta de transparência na destinação de parte desses recursos e defendeu que a política seja pautada pelo fortalecimento das instituições democráticas.

Sobre o uso de inteligência artificial e das chamadas deepfakes durante a campanha eleitoral, Marina afirmou que o principal desafio será garantir que o debate público permaneça baseado em informações verdadeiras e não em conteúdos manipulados.

Questionada sobre uma eventual candidatura à Presidência da República no futuro, a ex-ministra afirmou que considera ter cumprido sua contribuição após disputar o cargo em três oportunidades e destacou sua trajetória política iniciada ainda na década de 1980.


 
 
 

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