Lula sanciona lei de combate a facções criminosas com vetos em pontos sensíveis
- Adilson Silva

- há 10 horas
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (24) o projeto de lei voltado ao enfrentamento de facções criminosas, conhecido como PL Antifacção, com vetos em pontos considerados sensíveis pelo governo.

Um dos principais trechos barrados previa punições severas, de 12 a 30 anos de prisão, para pessoas que cometessem crimes típicos de facções, mesmo sem vínculo formal com organizações criminosas. A avaliação do governo foi de que o dispositivo poderia abrir margem para interpretações que levassem à criminalização indevida de movimentos sociais.
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a decisão buscou restringir a aplicação da lei apenas a integrantes comprovados de organizações criminosas.
Outro veto atingiu a proposta de divisão de recursos do Fundo Nacional Antidrogas, considerada incompatível com regras constitucionais. Pelo entendimento jurídico, valores oriundos de apreensões relacionadas ao tráfico devem permanecer sob controle da União.
A nova legislação, também chamada de Lei Raul Jungmann, cria tipos penais específicos para combater o domínio territorial e social exercido por facções, milícias e grupos paramilitares. Entre eles está o crime de “domínio social estruturado”, que pune ações de controle de territórios, intimidação da população e restrição de circulação.
Outro ponto previsto é o crime de favorecimento a esse tipo de domínio, direcionado a quem auxilia ou facilita a atuação dessas organizações, mesmo sem participação direta em atos violentos.
A lei também estabelece regras para a destinação de recursos obtidos em investigações. Valores provenientes de apurações conduzidas por polícias civis estaduais serão destinados a fundos estaduais de segurança, enquanto aqueles obtidos em investigações da Polícia Federal irão para o fundo nacional. Em operações conjuntas, a divisão será feita de forma igualitária.
Mesmo diante de questionamentos jurídicos, o presidente manteve dispositivos como a proibição do voto para presos provisórios ligados a organizações criminosas e o fim do auxílio-reclusão nesses casos.
Durante a cerimônia de sanção, Lula afirmou que o objetivo é intensificar o combate ao crime organizado, com foco nos líderes das organizações. Segundo ele, o enfrentamento deve atingir principalmente os responsáveis pelos esquemas, e não apenas os executores.
O evento contou com a presença de autoridades como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, além de integrantes do governo federal.







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