Lula reage à derrubada da MP e reforça cobrança sobre os super-ricos durante evento da BYD na Bahia
- Adilson Silva

- 9 de out.
- 3 min de leitura
09 de outubro de 2025 | 14h45
Por Redação Fatos Políticos | Exclusivas
Durante a inauguração da fábrica da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), nesta quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à derrubada da Medida Provisória alternativa ao IOF, que previa taxação sobre rendimentos de aplicações financeiras e apostas esportivas.

O texto da MP, rejeitado pela Câmara dos Deputados, fazia parte de um pacote de medidas econômicas elaborado pelo governo para ampliar a arrecadação sem prejudicar os trabalhadores. Lula lamentou a decisão e afirmou que o Congresso precisa enfrentar os privilégios de quem ganha muito e paga pouco imposto.
“Se um trabalhador paga até 27,5%, por que um ricaço não pode pagar 18% de imposto de renda? Fizemos um acordo para 12% e eles não quiseram pagar. Podem saber: é uma questão de dias. Eles vão ter que pagar o imposto que ganham aqui no Brasil, porque o povo não vai deixar isso barato”, afirmou o presidente em tom enfático.
Lula volta a defender taxação dos mais ricos
O chefe do Planalto destacou que a tributação progressiva é essencial para reduzir desigualdades, e disse que o governo continuará insistindo no debate sobre taxar grandes fortunas e rendimentos no exterior.Segundo Lula, é preciso corrigir o que chamou de “injustiça histórica com o povo brasileiro”, ao lembrar que a carga tributária recai mais fortemente sobre a classe média e os assalariados.
“Enquanto o trabalhador paga caro em tudo, quem lucra milhões com especulação financeira ainda tenta escapar da contribuição. Isso é inaceitável”, completou.
A fala do presidente ocorre em meio a uma disputa política intensa no Congresso, onde setores conservadores e ligados ao mercado financeiro pressionam contra qualquer tipo de tributação sobre grandes fortunas.
Reaproximação com os Estados Unidos e otimismo nas relações exteriores
Em outro trecho do discurso, Lula comentou sobre a ligação telefônica recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ressaltando o caráter simbólico da conversa.Com bom humor, o petista citou um trecho musical ao afirmar que “aquilo que parecia impossível, aconteceu”, em referência à reaproximação diplomática entre os dois países.
O presidente ainda se mostrou otimista quanto à possibilidade de reverter o aumento de tarifas impostas pelos norte-americanos a produtos brasileiros, mas deixou claro que o Brasil não aceitará imposições externas.
“Não queremos briga, mas também não aceitaremos que ninguém meta a mão no nosso nariz. Queremos respeito e ser tratados com decência”, disse Lula, sob aplausos.
Momento de descontração durante o evento em Camaçari
O discurso também teve espaço para momentos de leveza. Em tom bem-humorado, Lula arrancou risadas do público — que incluía trabalhadores, empresários, ministros e representantes do Judiciário — ao comentar que a BYD concedeu descontos especiais aos funcionários na compra de carros elétricos.
“É para que eles não corram o risco de ir trabalhar dirigindo carros da concorrência”, brincou.
O presidente aproveitou para destacar a importância da montadora chinesa na geração de empregos e inovação tecnológica na Bahia, afirmando que a chegada da BYD representa “um novo ciclo de desenvolvimento industrial e sustentável para o Nordeste”.
Deezeem:
Apesar do discurso firme e da defesa da justiça fiscal, Lula ainda enfrenta resistência dentro do próprio Congresso, o que demonstra certa fragilidade política diante de interesses econômicos poderosos.Enquanto o presidente tenta consolidar sua narrativa de defesa dos mais pobres, muitos veem as falas como mais retóricas do que práticas, já que reformas estruturais seguem travadas.
O episódio da MP derrubada é um exemplo claro de que, sem articulação sólida e estratégia política, o governo continuará colecionando derrotas — mesmo com boas intenções.A cobrança aos “super-ricos” é legítima, mas o desafio de Lula será transformar discurso em ação concreta, sem perder o apoio popular que ainda sustenta seu projeto.







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