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Justiça de SP dificulta venda de bens de luxo ligados a Daniel Vorcaro

Decisões apontam suspeitas de desvio de recursos e tentativa de ocultação de patrimônio

A Justiça de São Paulo determinou uma série de medidas para dificultar a venda de bens de alto valor associados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso recentemente, e a empresas ligadas ao Banco Master.

As decisões foram proferidas pelo juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, que identificou indícios de tentativa de esvaziamento patrimonial. Segundo os processos, há suspeitas de que recursos de clientes e investidores tenham sido desviados por meio de uma rede de empresas, fundos e pessoas próximas ao ex-banqueiro. O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 2 bilhões.

Procurada, a defesa de Vorcaro não se pronunciou até o momento. O prazo para manifestação foi fixado em dez dias.

Entre as medidas adotadas está o registro de protesto sobre imóveis vinculados à Viking Participações Ltda., incluindo propriedades de alto padrão localizadas na capital paulista. A decisão também alcança aeronaves executivas, como modelos das fabricantes Dassault Aviation e Gulfstream Aerospace.

O magistrado considerou suspeita a tentativa de venda de um imóvel de luxo no mesmo dia em que Vorcaro foi preso, apontando risco de perda irreversível de patrimônio.

Outras decisões ampliaram o alcance das restrições para bens adicionais, como um jato avaliado em cerca de R$ 500 milhões e uma mansão em Brasília estimada em R$ 36 milhões, conhecida por ter sediado encontros com políticos. Participações societárias também foram incluídas nas medidas.

As ordens judiciais foram encaminhadas a órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e a Agência Nacional de Aviação Civil, além de cartórios e juntas comerciais em São Paulo e Minas Gerais.

As investigações indicam que valores do Banco Master teriam sido direcionados a estruturas financeiras específicas, como fundos de investimento, sem justificativa econômica consistente. Parte desses recursos, segundo os autos, teria sido utilizada para custear despesas pessoais e bens de luxo de familiares.

O processo também aponta possível uso de terceiros, incluindo parentes de Vorcaro, para movimentação financeira e aquisição de ativos, além da existência de uma rede internacional com conexões em paraísos fiscais.

Entre os bens atingidos pelas decisões estão o Botanique Hotel & Spa e uma embarcação de luxo, que estariam vinculados a empresas e fundos relacionados ao grupo.

Apesar das medidas, o juiz destacou que o protesto não impede diretamente o uso dos bens nem configura bloqueio imediato. No entanto, funciona como um alerta jurídico ao mercado, reduzindo o interesse de possíveis compradores e dificultando negociações.

Na prática, eventuais aquisições desses ativos passam a envolver risco legal, já que os compradores poderão ser obrigados a devolver os bens futuramente, caso a Justiça confirme irregularidades na origem dos recursos utilizados.

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