Inflação encerra 2025 em 4,26%, dentro da meta e no menor nível desde 2018
- Adilson Silva

- 9 de jan.
- 3 min de leitura
A inflação oficial do país desacelerou ao longo de 2025 e fechou o ano com alta acumulada de 4,26%, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta sexta-feira (9) pelo IBGE.

O resultado ficou abaixo do teto da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central e representa o menor patamar anual desde 2018.
O desempenho registrado no terceiro ano do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refletiu, principalmente, a redução da pressão dos alimentos, favorecida por maior oferta agrícola, além do impacto de um dólar mais fraco em um ambiente de juros elevados. O número ficou exatamente em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro.
Desde a implantação do Plano Real, em 1994, apenas quatro anos apresentaram inflação menor do que a observada em 2025: 1998, 2006, 2017 e 2018. Economistas apontam que, mantida a tendência e considerando projeções próximas de 4% para 2026, o atual governo pode registrar o menor IPCA acumulado em um mandato presidencial de quatro anos no período do real.
Estimativas do economista André Braz, do FGV Ibre, indicam que a inflação somada entre 2023 e 2026 pode alcançar cerca de 18,9%. Caso se confirme, o índice ficará abaixo do menor resultado já registrado até hoje, que ocorreu no segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2010.
Inflação mensal sobe em dezembro
No recorte mensal, o IPCA avançou 0,33% em dezembro, após alta de 0,18% em novembro. Apesar da aceleração, trata-se do menor resultado para o mês desde 2018 e também ficou dentro do esperado pelos analistas.
Em 2025, o Banco Central passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação, abandonando o modelo baseado apenas no fechamento do ano-calendário. Nesse formato, o objetivo é considerado descumprido quando o índice permanece fora do intervalo de tolerância — de 1,5% a 4,5% — por seis meses consecutivos. O IPCA ultrapassou o teto pela primeira vez em junho, mas voltou a se situar dentro da banda em novembro.
Alimentos ajudam a conter os preços
O principal fator de alívio inflacionário em 2025 foi o comportamento dos alimentos. O grupo alimentação e bebidas acumulou alta de 2,95% no ano, bem abaixo da registrada em 2024. A alimentação consumida no domicílio subiu apenas 1,43%, após ter avançado mais de 8% no período anterior.
Entre junho e novembro, os preços dos alimentos chegaram a registrar quedas consecutivas. Em dezembro, houve leve alta, mas em ritmo inferior ao observado em anos anteriores. O IBGE atribui o movimento à ampliação da oferta, impulsionada por uma safra recorde de grãos.
Produtos como arroz, leite longa vida e batata apresentaram reduções expressivas ao longo do ano, enquanto o café moído foi destaque de alta, com aumento superior a 35%.
Câmbio, juros e pressões específicas
A queda do dólar em 2025 também contribuiu para aliviar os preços de bens industriais e alguns alimentos. Paralelamente, a política monetária restritiva — com a Selic em 15% ao ano — ajudou a conter a demanda, reduzindo pressões inflacionárias no médio prazo, ainda que tenha imposto limites ao crescimento econômico.
Por outro lado, alguns itens continuaram exercendo impacto relevante. A energia elétrica foi a principal fonte de pressão, com aumento acumulado de mais de 12%, seguida por cursos regulares, planos de saúde e aluguel residencial.
Perspectivas para 2026
Para 2026, analistas projetam inflação ligeiramente menor, próxima de 4%. O mercado trabalha com estimativas em torno de 4,06%, segundo o boletim Focus. Economistas avaliam que os alimentos podem voltar a subir em ritmo mais intenso, enquanto os preços de serviços tendem a desacelerar, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados.
Apesar do cenário relativamente favorável, especialistas alertam para riscos externos, como tensões internacionais que podem afetar o preço do petróleo e o câmbio. O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir no fim de janeiro para definir os próximos passos da taxa básica de juros, com expectativa de cortes apenas a partir de março.
Por que a inflação sentida pode ser diferente
O IPCA mede a variação média de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com base em uma cesta ampla de produtos e serviços. Como os hábitos de consumo variam, a inflação percebida por cada família pode ser maior ou menor do que o índice oficial, dependendo do peso de determinados gastos no orçamento doméstico.







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