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Indústria da Construção Civil Retoma o Fôlego e Entra em Nova Fase de Crescimento, Afirma Secretário do PPI

13 de outubro de 2025 | 12h02 — Economia



Após anos de retração e incertezas, o setor de construção civil brasileiro começa a dar sinais concretos de recuperação. A avaliação é de Marcus Cavalcanti, secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil, que destaca o esforço do governo federal em garantir que a indústria nacional consiga absorver o volume crescente de obras públicas, concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) previstas para os próximos anos.


Foto: Divulgação/Arquivo/GOVBR
Foto: Divulgação/Arquivo/GOVBR

Segundo Cavalcanti, o país vive o início de um novo ciclo de investimentos em infraestrutura, marcado por oportunidades de financiamento e pela retomada da confiança no mercado. “Estamos saindo de um período de destruição da nossa indústria pesada, e agora o setor começa a se reerguer com bases mais sólidas”, afirmou o secretário.

A reconstrução após a Lava Jato

O impacto da Operação Lava Jato, que paralisou grandes empreiteiras e desestruturou o ecossistema da construção civil, ainda é sentido. De acordo com Cavalcanti, o setor passou quase uma década tentando se reestabilizar após a perda de capacidade financeira e técnica das empresas que dominavam o mercado.

“Vivemos uma verdadeira tempestade perfeita”, explicou. “As grandes companhias ficaram sem condições de participar de licitações, e as médias e pequenas não tiveram tempo ou espaço para se desenvolver. Agora, estamos reabrindo o mercado para novos atores e estimulando a diversificação de players no setor.”

Estratégia de fatiamento e estímulo às empresas menores

Para evitar a sobrecarga das grandes construtoras e dar espaço a empresas emergentes, o governo adotou uma nova estratégia: dividir grandes projetos em lotes menores. A medida reduz a complexidade técnica e o volume inicial de investimento — o chamado capex — necessário para iniciar as obras.

Um exemplo citado por Cavalcanti é a concessão da BR-040, que liga o Rio de Janeiro a Brasília. Inicialmente prevista como uma única obra, foi desmembrada em três etapas. “Essa decisão permitiu a entrada de diferentes empresas e ampliou a competitividade no setor”, destacou.

PPPs e concessões ganham novo papel no país

O secretário explicou que o modelo de PPPs e concessões passou por uma transformação profunda. Se antes era visto apenas como ferramenta arrecadatória ou de privatização, agora se consolida como uma estratégia moderna de gestão pública.

“Hoje, as concessões representam uma forma mais inteligente e eficiente de o Estado prestar serviços à população”, disse. “Não se trata de vender patrimônio, mas de otimizar a entrega de infraestrutura com qualidade e menor custo.”

Entre os projetos sob o guarda-chuva do PPI estão desde obras rodoviárias e ferroviárias até concessões florestais — voltadas para o uso sustentável de áreas de preservação.

Novas formas de financiamento impulsionam o setor

A recuperação do setor também é impulsionada por instrumentos financeiros mais acessíveis, como as debêntures incentivadas, criadas para atrair recursos de fundos de investimento e de pensão. Segundo Cavalcanti, apenas em 2024 foram emitidos cerca de R$ 140 bilhões em debêntures voltadas para infraestrutura.

“O Congresso teve papel fundamental na criação desse mecanismo. Ele permite captar recursos a longo prazo com taxas mais atrativas e previsibilidade para o investidor”, observou. “Isso dá estabilidade e reduz a dependência exclusiva de recursos públicos.”

Um mercado mais planejado e previsível

O novo ciclo de concessões é acompanhado por um calendário estruturado de leilões, o que dá às empresas maior capacidade de planejamento e investimento. Para o secretário, esse é um dos fatores que diferenciam o atual momento da era pré-Lava Jato.

“As construtoras podem se programar, planejar suas participações e até mesmo revender participações em concessões no futuro. Isso cria um ambiente mais maduro e sustentável”, afirmou.

A força das PPPs simplificadas e o papel dos estados

Cavalcanti destacou também o avanço das concessões inteligentes, modelo que vem sendo testado em estados como a Bahia, com a Estrada do Feijão, onde o governo estadual remunera a concessionária mensalmente, e há pedágio apenas em pontos específicos.

“Ao adaptar o modelo para realidades regionais, conseguimos incluir projetos em locais onde a população não teria condições de pagar tarifas altas”, explicou. “A ideia é tornar o sistema de concessões mais democrático e acessível.”

Entre os projetos de maior porte em análise está a Rota 2 de Julho, também na Bahia, que prevê investimentos entre R$ 14 e R$ 15 bilhões, atualmente sob revisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

O desafio da mão de obra e da especialização técnica

Apesar da melhora, o secretário reconhece que o setor ainda enfrenta desafios. Um deles é o ciclo de formação de engenheiros e técnicos especializados, que não acompanha o ritmo das demandas do mercado.

“O ramo da construção é cíclico. Quando o mercado esfria, os profissionais migram para outras áreas, como o setor financeiro. Agora, com a retomada, estamos sentindo falta de novos engenheiros — e precisamos até recorrer aos mais experientes”, observou Cavalcanti.

Juros altos e o custo do investimento

Outro obstáculo importante é o custo do capital. As altas taxas de juros no Brasil encarecem os financiamentos e dificultam a expansão de novos empreendimentos. Para contornar o problema, o governo estuda alternativas como a emissão de debêntures em fases e renegociação periódica dos contratos de crédito com o BNDES.

“A expectativa é que, com a inflação sob controle, a taxa de juros comece a cair a partir do próximo ano. Isso vai destravar muitos investimentos e acelerar a retomada do setor”, afirmou o secretário.

Um novo horizonte para a infraestrutura brasileira

A combinação entre planejamento de longo prazo, novos instrumentos financeiros e maior participação de empresas médias e pequenas cria um ambiente otimista para a infraestrutura nacional. Segundo Cavalcanti, o momento atual deve ser visto como um ponto de virada para o setor de construção civil.

“O país está aprendendo com os erros do passado e abrindo espaço para um modelo mais eficiente, competitivo e sustentável. É um bom problema ter tantas obras e tantos projetos em andamento”, concluiu.


Raio-X: Marcus Benício Foltz Cavalcanti

  • Cargo: Secretário especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) da Casa Civil desde 2023

  • Idade: 65 anos

  • Formação: Gestor público e especialista em políticas públicas e gestão governamental

  • Carreira: Servidor concursado desde 1979; foi secretário de Infraestrutura da Bahia entre 2014 e 2022

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