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Indicado ao STF, Jorge Messias aguarda sabatina dez anos após episódio do “Bessias” na Lava Jato

O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda a realização da sabatina no Senado Federal, etapa necessária para que sua indicação seja confirmada.

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF
Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

O processo ocorre cerca de dez anos depois de o jurista ter ganhado notoriedade nacional durante os desdobramentos da Operação Lava Jato.

Para assumir o cargo no STF, o indicado precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal e obter pelo menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado Federal do Brasil.

A indicação de Messias foi anunciada por Lula em novembro do ano passado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, chegou a marcar a sabatina, mas a sessão acabou cancelada porque o governo ainda não havia encaminhado toda a documentação necessária. Nos bastidores, a avaliação é de que o Palácio do Planalto buscou ganhar tempo para ampliar o apoio político ao indicado.

Negociações políticas

Integrantes do governo e parlamentares aguardam um novo encontro entre Lula e Alcolumbre para destravar o processo. A expectativa entre aliados do presidente é de que a sabatina e a votação possam ocorrer ainda neste mês.

A escolha de Messias também gerou desconforto em parte da cúpula do Senado. Alcolumbre defendia que o indicado para a vaga fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente da Casa.

Apesar das divergências, Messias é considerado um nome bem relacionado no meio político. Senadores, no entanto, avaliam que a aprovação depende de um acordo prévio entre o Planalto e a presidência do Senado.

Interlocução com setores religiosos

Evangélico, Messias tem atuado como interlocutor do governo junto a segmentos religiosos que demonstram resistência ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Em conversas com parlamentares, ele também sinalizou posições consideradas mais conservadoras em temas como aborto e política de drogas. Além disso, indicou que não pretende confrontar o mecanismo das emendas parlamentares, instrumento utilizado por deputados e senadores para direcionar recursos a suas bases eleitorais.

Origem do apelido “Bessias”

Messias ganhou projeção nacional em 2016, quando ocupava o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos no governo da então presidente Dilma Rousseff.

Na época, uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, interceptada durante a Operação Lava Jato, mencionava o envio de um documento para a posse de Lula como ministro da Casa Civil. Na gravação, a presidente pronunciou o nome de Messias como “Bessias”, apelido que acabou sendo amplamente difundido por adversários políticos.

O episódio ocorreu no contexto da crise política que culminou no Impeachment de Dilma Rousseff, aprovado pelo Congresso em agosto de 2016.

Trajetória recente

Após a saída de Dilma do governo, Messias permaneceu próximo ao grupo político ligado a Lula. Em 2022, integrou a equipe de transição do governo eleito e, pouco antes da posse presidencial, foi anunciado como chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).

Desde então, consolidou-se como um dos auxiliares mais próximos do presidente e passou a integrar o núcleo político do governo.

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