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Governo tenta manter apoio de Angelo Coronel com oferta de cargos e espaço na chapa

Diante do risco de perder o apoio do senador Angelo Coronel (PSD) ao projeto de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o Palácio de Ondina intensificou as negociações políticas e passou a oferecer um conjunto de compensações ao parlamentar e à sua família.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

A proposta inclui a indicação de um dos filhos de Coronel para a vaga de vice-governador, além de espaços estratégicos no Legislativo estadual.

Segundo interlocutores do governo, a articulação prevê que o deputado federal Diego Coronel (PSD) seja alçado à condição de vice na chapa governista. Em paralelo, o senador deixaria a disputa pelo Senado para concorrer à Câmara dos Deputados, enquanto Angelo Coronel Filho (PSD) teria apoio para garantir a reeleição à Assembleia Legislativa e, posteriormente, disputar a presidência da Casa.

A movimentação resgata uma alternativa debatida ainda no ano passado, quando começaram as conversas sobre a formação da chapa majoritária. A ideia ganhou força após o PT tratar como praticamente definida a substituição de Coronel em uma das vagas ao Senado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT).

Nos bastidores, a leitura é de que a decisão do senador Otto Alencar (PSD) — principal liderança do partido no Estado — de indicar o próprio filho para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado consolidou o alinhamento do PSD ao projeto de reeleição de Jerônimo, mesmo ao custo de deixar Coronel fora da chapa ao Senado. Para integrantes do governo, o gesto sinalizou prioridade aos interesses internos do grupo, reduzindo o espaço de manobra do senador.

Incomodado com o cenário, Angelo Coronel admitiu a possibilidade de disputar a reeleição de forma independente, o que poderia abrir caminho para uma aproximação informal com a oposição liderada por ACM Neto (União Brasil). Esse movimento, avaliam aliados do governo, teria potencial para prejudicar sobretudo a candidatura do senador Jaques Wagner (PT), visto como o nome mais vulnerável entre os postulantes governistas ao Senado.

“Não posso permanecer onde não sou desejado”, afirmou Coronel, ao comentar a hipótese de seguir fora da chapa oficial. Pessoas próximas ao senador dizem que ele também rejeita o pacote de compensações oferecido, alegando que a decisão sobre sua candidatura não seria apenas pessoal, mas resultado do apoio construído junto a prefeitos baianos ao longo do mandato.

Com forte base municipal, Coronel sustenta que entra na próxima eleição com um patamar mínimo de intenções de voto, o que reforça sua resistência às propostas do governo. Ainda assim, o temor de que uma candidatura avulsa cause impactos negativos no desempenho eleitoral do grupo mantém o Palácio de Ondina empenhado em evitar o rompimento definitivo com o senador, mesmo após a exclusão de seu nome da disputa ao Senado pela base governista.

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