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Governo estuda aumentar etanol na gasolina e zerar impostos do biodiesel para conter alta dos combustíveis

O governo federal avalia novas medidas para reduzir o impacto da alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio. Entre as alternativas em análise estão o aumento da mistura de etanol na gasolina e a ampliação de incentivos fiscais ao biodiesel.

A principal proposta em discussão prevê elevar de 30% para 32% o percentual de etanol adicionado à gasolina — o chamado E32. A medida vem sendo debatida por técnicos dos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda como forma de suavizar os efeitos do encarecimento do petróleo no mercado internacional.

Outra possibilidade é estender ao biodiesel a isenção de PIS/Cofins já concedida ao diesel, o que poderia reduzir o custo final do combustível ao consumidor.

As discussões ocorrem em meio à disparada do preço do petróleo, intensificada após ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã. O barril do tipo Brent chegou a superar os US$ 119, refletindo temores de interrupção no fornecimento global, especialmente com restrições no Estreito de Hormuz.

Para que o aumento da mistura de etanol seja implementado, no entanto, será necessário um estudo técnico que comprove a viabilidade da mudança sem prejuízos aos motores dos veículos. Após essa etapa, a proposta ainda precisa ser submetida ao Conselho Nacional de Política Energética.

Especialistas apontam que o diesel tende a ser o combustível mais afetado pela crise internacional, já que parte relevante do produto consumido no Brasil é importada. Nesse contexto, o aumento da participação de biocombustíveis pode ajudar a reduzir a dependência externa.

Representantes do setor também defendem a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel, atualmente em 15%, como alternativa adicional para conter os preços.

O Ministério de Minas e Energia já iniciou estudos para avaliar a possibilidade de ampliar gradualmente o uso de biocombustíveis, com investimentos em pesquisas que podem permitir elevar a mistura para até 35% na gasolina e 25% no diesel.

Além das medidas técnicas, o governo acompanha com atenção o impacto político da alta dos combustíveis. A pressão de caminhoneiros por reajustes e a possibilidade de paralisações preocupam o Palácio do Planalto, sobretudo em um cenário pré-eleitoral.

Paralelamente, o tema também avança no Congresso Nacional, onde tramita a medida provisória que reduziu tributos sobre o diesel. O texto recebeu dezenas de emendas, incluindo propostas para ampliar a desoneração a outros combustíveis.

A equipe econômica ainda analisa alternativas como a autorização para importação de biodiesel, buscando ampliar a oferta e conter a escalada dos preços.

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