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Governo define 27 minerais estratégicos e prevê incentivos bilionários para o setor no Brasil

há 1 hora
3 min de leitura

Economia • Política • Brasil • 6 de novembro de 2026


Nova classificação estabelece três níveis de prioridade para minerais como lítio, cobre, grafita e terras raras. Política prevê fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e programa com limite de R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034.


O governo federal definiu uma relação de 27 minerais considerados críticos e estratégicos para o desenvolvimento econômico e industrial do Brasil. A lista foi aprovada na quinta-feira (5) pelo Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e servirá de referência para a concessão de incentivos e apoio a projetos do setor mineral.

A iniciativa integra a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), criada para estimular investimentos, ampliar a capacidade industrial brasileira e reduzir a dependência externa de matérias-primas utilizadas em setores considerados essenciais.

A classificação divide os minerais em três categorias: prioridade alta, média e baixa. A definição considera fatores como riscos geopolíticos, concentração da produção mundial, possibilidade de substituição dos materiais e posição do Brasil nas cadeias produtivas internacionais.


Confira os 27 minerais selecionados

A lista aprovada pelo conselho ficou organizada da seguinte maneira:

Classe I – Prioridade alta

  • Terras raras;

  • Grafita;

  • Lítio;

  • Níquel;

  • Cobalto;

  • Cobre;

  • Manganês;

  • Silício;

  • Urânio.

Classe II – Prioridade média

  • Tungstênio;

  • Cromo;

  • Vanádio;

  • Tântalo;

  • Titânio;

  • Fosfato;

  • Potássio;

  • Enxofre.

Classe III – Prioridade baixa

  • Nióbio;

  • Estanho;

  • Ferro;

  • Zinco;

  • Ouro;

  • Magnésio;

  • Molibdênio;

  • Tório;

  • Alumínio;

  • Grupo da platina.

A classificação poderá passar por atualizações em futuras reuniões do conselho, conforme mudanças econômicas, tecnológicas e estratégicas.


Governo prevê bilhões em mecanismos de incentivo

Entre as principais medidas previstas está o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que poderá receber aportes de até R$ 2 bilhões da União, além de recursos de estados, municípios e investidores privados.

O mecanismo pretende reduzir os riscos dos financiamentos e facilitar o acesso ao crédito para empresas que desenvolvem projetos de pesquisa e exploração mineral, especialmente nas etapas iniciais dos empreendimentos.

Outro instrumento é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), que contará com limite fiscal de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034, totalizando até R$ 5 bilhões em créditos fiscais previstos.

A intenção é estimular que os minerais sejam processados e transformados dentro do território brasileiro, em vez de o país concentrar sua participação apenas na extração e exportação de matérias-primas.


Minerais são fundamentais para tecnologia e energia

A escolha dos materiais também está relacionada ao crescimento da demanda internacional por recursos utilizados na fabricação de equipamentos tecnológicos, baterias de veículos elétricos, painéis solares, computadores, turbinas e equipamentos de defesa.

O lítio, por exemplo, é uma das principais matérias-primas utilizadas em baterias. Já as terras raras são importantes para a fabricação de componentes eletrônicos, ímãs permanentes e equipamentos de alta tecnologia.

A grafita, o níquel e o cobalto também possuem aplicações importantes na indústria de armazenamento de energia e na produção de baterias.

Com a nova política, o governo pretende ampliar a participação brasileira nessas cadeias produtivas, incentivar a pesquisa e desenvolver tecnologias de processamento e industrialização.


Bahia pode acompanhar oportunidades no setor mineral

A definição dos minerais estratégicos também merece atenção na Bahia, estado que possui atividade mineral diversificada e projetos relacionados à exploração de matérias-primas importantes para a transição energética.

Entre os destaques está o lítio, cuja exploração ganhou espaço no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e também possui projetos e atividades de pesquisa na Bahia.

A inclusão de minerais como lítio, níquel, cobre e grafita na lista federal pode ampliar o interesse por investimentos em pesquisa, beneficiamento e transformação mineral no país. Entretanto, a inclusão na classificação não significa concessão automática de recursos: os empreendimentos precisarão cumprir os critérios e procedimentos previstos na política nacional.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também deverá apresentar, em até 15 dias, uma proposta de cadeias produtivas prioritárias para o plano nacional do setor.


Estratégia busca fortalecer a indústria nacional

Com a aprovação da lista, o governo avança na implementação de uma política voltada ao aproveitamento econômico das riquezas minerais brasileiras.

Além dos mecanismos financeiros, os projetos contemplados deverão observar exigências relacionadas a investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, compromissos socioambientais e utilização de produtos e mão de obra locais.

A expectativa é ampliar a industrialização, estimular a geração de empregos qualificados e fortalecer a presença do Brasil no mercado internacional de minerais considerados estratégicos.

 
 
 

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