Gestão interina no Rio amplia tensão política entre grupos de Paes e Castro
- Adilson Silva

- há 2 dias
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As decisões adotadas pelo governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, passaram a intensificar a disputa política entre aliados do ex-prefeito Eduardo Paes e do ex-governador Cláudio Castro na corrida pelo Palácio Guanabara.

Apesar de defender uma atuação técnica e neutra, a gestão interina vem sendo alvo de críticas e elogios públicos conforme as medidas adotadas nas últimas semanas.
Desde que assumiu o governo estadual, em março, Ricardo Couto promoveu mais de 1,6 mil exonerações após auditorias internas apontarem possíveis irregularidades e suspeitas de funcionários fantasmas na administração estadual.
Além das mudanças no quadro de pessoal, o governo determinou auditorias em contratos superiores a R$ 1 milhão e suspendeu processos licitatórios em diversas secretarias.
Uma das principais medidas foi a retirada da coordenação do programa Segurança Presente da Secretaria de Governo, transferindo a gestão da iniciativa para a Polícia Militar.
O programa é voltado ao policiamento de proximidade e reúne policiais militares, civis, penais, bombeiros e agentes egressos das Forças Armadas.
Ao anunciar a mudança, o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que o programa voltou para “as mãos da Segurança Pública”, declaração interpretada nos bastidores como crítica à gestão anterior.
A reação do grupo ligado a Cláudio Castro veio logo em seguida. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-governador criticou a decisão e afirmou que a mudança pode comprometer o funcionamento do Segurança Presente.
Sem citar diretamente Ricardo Couto, Castro disse que alterações no modelo foram feitas sem ouvir a população, os integrantes do programa e os beneficiários do projeto.
Já Eduardo Paes elogiou publicamente as medidas adotadas pelo governo interino e afirmou que as mudanças representam uma “limpeza” na área da segurança pública.
Nos bastidores, aliados de Castro e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, avaliam que as decisões de Couto acabam favorecendo politicamente o grupo de Paes.
Entre os pontos levantados está a atuação do delegado Roberto Leão, responsável por auditorias e exonerações. Ele ocupou cargos na prefeitura do Rio anteriormente e foi nomeado pelo governador interino para comandar a Secretaria de Governo e o Gabinete de Segurança Institucional.
Pessoas próximas a Ricardo Couto afirmam, por outro lado, que as medidas são resultado de obrigações administrativas diante de indícios de irregularidades e negam qualquer alinhamento político com Eduardo Paes.
A gestão interina também informou que as mudanças seguem critérios técnicos e de valorização de servidores de carreira.
Ricardo Couto permanece no comando do governo fluminense por decisão do Supremo Tribunal Federal, que ainda não definiu como será escolhido o governador-tampão responsável por concluir o mandato até o final deste ano.







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